quarta-feira, 3 de junho de 2009

“O curso somos todos nós”, afirma nova coordenadora de Jornalismo

Sabrina Oliveira assegura que construir um bom curso exige um esforço coletivo

Camila Tapia – 5º período
(Publicado em: http://www.catolicadigital.ucg.br/home/secao.asp?id_secao=2716&id_unidade=3)


Em entrevista à Católica Digital, a nova coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Goiás (UCG), Sabrina Moreira de Morais Oliveira, fala sobre os princípios que nortearão sua gestão. Ela, que assumiu interinamente o cargo, ressalta a necessidade de institucionalizar procedimentos e consolidar iniciativas. Sabrina comenta, ainda, sua primeira experiência como coordenadora, à frente da cobertura jornalística do curso na 5ª Semana de Cultura e Cidadania.


Católica Digital – Você acabou de assumir interinamente um cargo de muita responsabilidade. Quais são, neste momento inicial, seus receios e expectativas?


Sabrina – Bem, eu assumi num momento em que tive que trabalhar em função da Semana de Cultura e Cidadania, então ainda não foi possível fazer uma análise profunda do trabalho de coordenação. Eu já tinha uma noção sobre o trabalho porque trabalhei na Comissão Auxiliar, só que tinha uma visão de parte do processo. Passado esse momento da Semana, que exigiu dedicação exclusiva, minha expectativa é conhecer melhor todos os procedimentos e, a partir disso, pensar em propostas para o próximo semestre. Quanto aos receios, não tenho. Se tivesse, acho que não teria aceitado (risos). Tudo na minha vida só faço com muita certeza. Depois de três anos em sala de aula e de dois anos e meio de Comissão Auxiliar, eu já tinha conhecimento da instituição, de como são os procedimentos institucionais e já tinha passado por todas as turmas. A turma que está hoje no 8º período é composta por estudantes que foram meus alunos no 3º período. Acredito, portanto, que já existe uma integração, inclusive em relação ao corpo docente. E isso me deixa mais segura.


Católica Digital – Como você avalia o curso de Jornalismo da Universidade Católica de Goiás hoje?


Sabrina – Vejo o curso daqui, como qualquer outro, em permanente construção. De bom, poderia citar a parte de laboratórios, que não é minha área específica, mas reconheço sua importância. Sou pesquisadora e, assim, acredito que o grande diferencial do curso é a intensa disposição dos professores que investem em pesquisa científica aqui. Ao estar em uma instituição como a Católica, vejo a possibilidade de desenvolvimento e construção do conhecimento. Não só de você se basear em autores, lê-los e trabalhar com eles continuadamente, mas de se colocar como autor, como produtor. A Católica, através da Pró-Reitoria de Pesquisa, possibilita isso. O que o curso tem de diferencial é pensar sempre nessa relação: ensino, pesquisa e extensão. É claro que estou puxando um pouco para a pesquisa, mas sem tirar das outras áreas porque não faz sentido você pensar só na pesquisa sem levar em consideração os outros pontos. Talvez seja essa a contribuição que eu tenha a dar: pensar a partir da minha posição de pesquisadora.


Católica Digital – E quais seriam os pontos negativos? Como a coordenação poderia ajudar a supri-los?


Sabrina – Não digo nem que é um problema, é preciso consolidar iniciativas já existentes. Não vejo como algo que era ruim e que pode ficar bom. Como falei, é um processo coletivo e em construção, logo não tem como iniciar um curso já com um nível de excelência. Não adianta pensar uma estrutura muito boa para a Semana e envolver os professores, se os alunos não participam. Não faz sentido. Faço uma avaliação muito positiva dessa minha primeira experiência como coordenadora porque existiu o envolvimento de todos, o que repercutiu em reconhecimento. O trabalho é, repito, um trabalho coletivo. Não é pensar que eu como coordenadora vou mudar alguma coisa, vou revolucionar, mas é pensar que eu, a partir da minha visão e posição, posso constituir uma integração ao ponto de pensarmos de forma coletiva. Não pensar em termos de alunos e professores, mas pensar que o curso somos todos nós.


Católica Digital – A proposta é, portanto, realmente existir uma interação entre a coordenação e os corpos docente e discente – inclusive o Centro Acadêmico de Jornalismo – durante sua gestão?


Sabrina – Isso. Não conheço a fundo como era esse relacionamento entre alunos e coordenação na gestão da Eliani [Eliani Covem, ex-coordenadora do curso de jornalismo da UCG]. Então, não poderia dizer se seria diferente. O que posso dizer é que quero implantar – e já conversei com o presidente do CA, que até sugeriu um nome para isso – uma reunião que será institucionalizada. Não será um momento em que aconteceu um problema e chamamos alguém para conversar. Não. Trata-se de pensar na institucionalização de um momento em que a coordenação e um representante do CA vão sentar, reunir-se e fazer ata porque acredito que a presença do CA tem que ser fortalecida através disso. Então se o aluno quer falar, conversar, ele tem os representantes de sala e tem o presidente do CA, e vai fazer isso a partir das instâncias de representação. O objetivo é fortalecer essas instâncias. É o caminho para chegar a uma discussão sobre projeto pedagógico, melhorias, necessidades, urgências e mudanças.


Católica Digital – Podemos esperar outras mudanças para o próximo semestre? Se sim, quais?


Sabrina – Bem, existem algumas idéias, algumas propostas, que têm que ser discutidas porque, como eu falei, é um processo coletivo, o coordenador não faz nada sozinho. E caso alguém, em alguma circunstância, faça, vai errar. Então, na próxima reunião de colegiado, dia 4 de junho, vamos nos reunir com um representante do CA, vou colocar minhas idéias e propostas e vamos discuti-las. Espero que dê tudo certo. Vamos institucionalizar isso, até para que tenhamos um plano de gestão definido em julho. Qual é a mudança que eu espero? Não posso dizer ainda porque, como falei, são idéias, algumas a médio e longo prazos, que tenho e elas têm que passar pelo colegiado e só se efetivam se eu permanecer nesse cargo, então não quero criar expectativa e depois, se não se concretizarem, gerar um sentimento de frustração. Mas acho que temos boas idéias, professores muito comprometidos e alunos também muito comprometidos, que mostram isso. Fiquei muito, muito feliz com a Semana de Cultura e Cidadania. Houve momentos inesquecíveis. E é esse esforço coletivo que constrói o curso. Não é uma ação da Sabrina ou de quem quer que seja, quem quer que sente aqui [na cadeira da coordenação], é um processo coletivo mesmo.


Católica Digital – Você acredita que a nova grade curricular (2009-1) preenche todos os requisitos para formar um bom profissional? Ela será mantida?


Sabrina – Do modo como ela está, sim. Inclusive, ela tem uma disciplina que no meu mestrado cheguei à conclusão de que era essencial, que é a Análise do Discurso Jornalístico. Na minha dissertação de mestrado uma das conclusões foi a necessidade dessa disciplina na grade curricular, principalmente por conta das visões vinculadas à idéia de objetividade, neutralidade. Na grade 2009-1, ela entra como optativa. Acredito que as mudanças foram pensadas como forma de atualização, principalmente por conta da inclusão da disciplina Mídias Integradas, que visa pensar um processo de produção a partir da integração dos diferentes meios.


Católica Digital – Há pretensão de realizar parcerias entre a universidade e meios de comunicação atuantes em Goiânia?


Sabrina – A experiência da parceria com a Difusora foi avaliada como positiva, tanto pela rádio como pelos alunos – de Radiojornalismo II – que participaram desse processo. Então, será o fortalecimento disso, desses contatos que se iniciam. Não adianta nada você ter um contato, abrir uma porta, se o aluno não corresponde. Ninguém vai fazer isso por ele. Porém, se o aluno corresponde e supera as expectativas, é ele quem está consolidando também. É claro que tem que ter um pontapé inicial na coordenação, mas é um processo.


Católica Digital – À vista de tudo o que foi dito, pode-se afirmar que a base principal da sua gestão, caso você se mantenha no cargo, será a idéia de trabalhar em conjunto, de construir coletivamente?


Sabrina – Isso. Esse é um dos fundamentos. É até um dos três princípios que eu menciono na minha carta de agradecimento aos professores e aos alunos que participaram da Semana de Cultura e Cidadania. Para não fugir das minhas disciplinas, que são Teoria da Comunicação e Teoria do Jornalismo, o outro princípio é pensar que não existe separação entre teoria e prática. No dia-a-dia você está lá usando, propondo e pensando, entrevistando as pessoas, mas também está fazendo isso a partir de um olhar que foi construído por todas as teorias, mesmo que você não pare para pensar nisso o tempo todo. E, ainda, o que é o slogan da Católica: “Conhecimento a serviço da vida”. Não faz sentido você pensar na produção de conhecimento que não seja para mudança social, para o questionamento, para pensar na sua inserção dentro da sociedade. Estes são os princípios básicos e são eles que vão marcar, porque é a minha concepção de educação e de sociedade. Como esse é o meu olhar, ainda que não exista aqui especificada uma ação, todas as que vierem serão norteadas por esses princípios.

Nenhum comentário: