terça-feira, 21 de abril de 2009

12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ)

Carta de Belo Horizonte
Os professores, estudantes e profissionais presentes no 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ), realizado em Belo Horizonte-MG, entre os dias 16 e 19 de abril de 2009, assumem a defesa pública do Campo Jornalístico e confirmam a necessidade de manter a exigência de formação universitária em Jornalismo para o exercício profissional. Tal posição está baseada no entendimento de que o compromisso da mídia com a cidadania passa pela atuação independente, plural, ética e responsável dos jornalistas que atuam nos mais diversos meios e espaços de produção editorial.

A defesa da formação superior específica é uma garantia de qualificação profissional e, pois, uma possibilidade concreta de assegurar mais autonomia profissional à produção jornalística. A ameaça à exigência do diploma universitário para acesso profissional significa, assim, colocar em risco a ética jornalística, que proporciona uma informação plural e fortalece a democracia. Afinal, o jornalismo é um serviço público e não pode ficar refém de alguns poucos empresários, que têm apenas interesses econômicos ou eleitoreiros para ampliar o controle sobre a mídia brasileira.

Os professores ratificam as bases que orientam a proposta do FNPJ apresentada à Comissão do MEC que vai elaborar as novas diretrizes ao ensino universitário do Jornalismo, bem como apostam no trabalho da comissão em apresentar um projeto comprometido com a melhoria da qualidade do ensino na área e na definição de critérios para normatizar a abertura, credenciamento, renovação e avaliação dos cursos de Jornalismo.

Os participantes do ENPJ entendem, ainda, que a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – marcada para os dias 1º a 3 de dezembro 2009 – é uma conquista inédita da sociedade brasileira na definição de diretrizes e políticas estratégicas de ação para marcar o compromisso da mídia com os interesses públicos, criando mecanismos para que a comunicação não seja usada para atender vontades e vantagens eleitoreiras ou econômicas de alguns poucos grupos empresariais.

As três ações acima indicadas – garantia da exigência de formação para exercício do Jornalismo, aprovação de novas diretrizes para o ensino de Jornalismo e a aposta numa Conferência Nacional de Comunicação representativa e norteada pelo interesse público – representam e marcam a confluência de estratégias que podem fortalecer a democracia e as condições ao exercício da cidadania, em que a mídia tem um papel fundamental nas sociedades contemporâneas.

Ao entender que o fortalecimento do campo jornalístico pressupõe a organização dos atores sociais – professores, profissionais, estudantes e pesquisadores –, os presentes no 12º ENPJ assumem um compromisso pelo fortalecimento das entidades representativas do setor, realizando atividades públicas (debates e manifestações, forçando o diálogo e cobrança dos gestores responsáveis pelas ações da área), em parceria com os Sindicatos e Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), dentre outras entidades.

Por fim, os professores presentes ao 12º ENPJ ratificam a defesa do Jornalismo e convidam os representantes dos diversos setores, grupos e movimentos da sociedade civil organizada para reforçar um compromisso público dos representantes parlamentares e do judiciário brasileiro (STF) pela manutenção da exigência de formação universitária para o exercício do Jornalismo. Afinal, a defesa da Regulamentação Profissional do Jornalismo é a defesa da própria democracia e, portanto, uma luta de todos.

Diploma... Para quê?


Diploma... Para quê?

* Sílvio Teles

Imagine-se lendo um jornal. Você gosta da forma como o redator conduz as palavras. As reportagens são bem contadas e você até visualiza a cena descrita nas linhas. Depois, você liga a TV. Um rosto bonito apresenta, da bancada, o telejornal. Sua dicção e texto, invejáveis. Irrequieto, você vai ao computador e, num site, lê as notícias. Curtas, leves, informativas. Clica, comenta, opina. Você até envia notícias... Não importa quem escreveu ou apresentou as matérias, você se sente informado. Não lhe preocupa se, ali, alguém tem ou não o diploma de jornalista. Até mesmo porque você supõe que todos tenham. Têm?

Eis o ponto em discussão no Supremo Tribunal Federal por esses dias: é necessário diploma para o exercício do jornalismo? Em plena era do webjornalismo, quando, cada vez mais, leitores e jornalistas trocam de papéis, através de blogs ou de seções como “você faz a notícia”, e quando outros milhares de profissionais atuam nas redações, sem sequer ter graduação em nível superior (por força de decisão do STF, de 2006), a Justiça está a um passo de decretar a desnecessidade do “canudo de papel” para se formar opinião. A polêmica reside no princípio constitucional da livre expressão da atividade intelectual e da comunicação, considerado ferido com a exigência do diploma.

Acredito ser uma questão de credibilidade. Assim como o diagnóstico médico é mais convincente que o do curandeiro e o laudo da perícia é superior à prova testemunhal, ao relato jornalístico profissional reputa-se maior confiança que ao popular. Fora os motivos técnicos, porque o médico, o perito e o jornalista estão presos, em tese, à ética profissional.

A inexigibilidade de diploma traz consigo a desregulamentação da profissão de jornalista, uma vez extintos os requisitos para seu exercício. Além disso, a não exigência dá às empresas o arbítrio de dizer quem é ou não jornalista, já que somente o serão quando, e se, contratados. Estes, sem dúvida, terão uma visão de comunicação, exclusivamente, restrita aos interesses da contratante. Se hoje, com profissionais do meio acadêmico, cientes de seu papel social, o “pensamento editorial” já é fortemente sentido, como não será, quando forem excluídas a técnica e a ética do jornalismo?

Entendemos que a livre expressão da atividade intelectual e da comunicação deve ser exercida, inclusive, como já vem sendo feito. Todos os cidadãos podem opinar, escrever, contar fatos e suas visões sobre esses. Afinal, fazemos isso, todos os dias, quando relatamos as situações que presenciamos ou que ouvimos falar. Mas, a atividade profissional de jornalismo, especializada, cumpridora do papel de fiscalização social e de formação da opinião de um povo, não pode, sob pena de engatarmos uma marcha retrógrada jamais vista, prescindir de formação acadêmica própria, de regulamentação e ética profissionais.

Pelo contrário, as autoridades deveriam estar discutindo como melhorar os cursos de jornalismo do País, com avaliações mais rigorosas e com o fechamento dos que não estiverem de acordo com padrão estabelecido. Suas excelências poderiam estar planejando em como tirar das mãos de meia dúzia de famílias o império da comunicação social, que torna hereditário o poder político no Brasil. Deveriam estar preocupados em fazer nascer uma comunicação social pública forte, voltada à educação e à formação cultural da Nação e, o mais possível, livre das interesseiras ideologias mercantis e partidárias. Entretanto, como sempre no Brasil brasileiro, é mais seguro – e menos trabalhoso – não cutucar, nem com vara longa, as verdadeiras onças.

* Jornalista formado pela Universidade Federal de Alagoas. Articulista dos jornais Gazeta de Alagoas, O Jornal e Tribuna Independente

Originalmente publicado no jornal Tribuna Independente, edição de 03 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

De centavo em centavo as moedas enchem o bolso


Na última quarta-feira, dia 15 de abril os jornais regionais goianos trouxeram a notícia de que as tarifas do transporte coletivo sofreriam reajuste. Passariam de R$ 2,00 para R$2,25. Enquanto que para os usuários do Eixo Anhanguera o aumento de preço seria de R$ 0, 125. Portanto, as passagens possivelmente irão custar R$1, 125.

Perceba que mudança interessante e descabida de valor. Não é preciso muita matemática para se observar que não existe moeda de R$ 0, 125 oferecida pelo Banco Central. A não ser que o governo do estado de Goiás, em parceria com as empresas de transporte coletivo metropolitano, pressionem o Governo Federal a criar uma moeda de valor único para Goiânia. O que sinceramente acredito não ser o caso.

Há quem diga que para pagar o R$ 0, 125, basta usar uma moeda de R$0,10 mais dois centavos. No entanto, ao fazer esse processo, surgem dois outros problemas: primeiro irá faltar no pagamento R$0,005, e mesmo que o vendedor de sitpass seja camarada, ao final do dia terá um valor considerável de desfalque, ou seja, terá prejuízo.Segundo não há muitas moedas de um centavo disponíveis no mercado. Vez ou outra se depara com uma, pois no lugar delas estão as “famosas” balinhas como troco. E pelo que se sabe, a nós só é permitido receber o troco em balinhas, nunca vi ninguém pagar o restante de uma conta com balinhas ou chiclete.

Qual a solução para o problema? Quanto de fato o cidadão deve pagar pelo transporte? Possivelmente, o que se espera desse pagamento é que seja de R$ 1,15, pois na falta de R$0,125 paga-se um pouco a mais, recebe uma balinha e o cidadão sai satisfeito na sensação de ter recebido o troco.Quando na verdade, foi lesado.

Imagine que cerca de 10.000 pessoas utilizem diariamente o Eixo, ou mesmo estudantes que utilizam a carteirinha garantindo o pagamento pela metade do valor total. Se cada um desses pagar R$1,15 deveria receber de volta R$0, 025, mas recebe o troco em balinha, ou simplesmente não recebe. Ao Final do dia 10.000 pessoas multiplicado por R$ 0,025 resultaram em R$ 250 reais de troco, que na verdade se tornam lucro. Pois, ao final de trinta dias a soma de R$250 reais diários passará para R$7.500 reais que possivelmente irá para as empresas e transporte público, ou será para o vendedor de sitpass?

Na dúvida, fica apenas a certeza de que de centavo em centavo as moedas enchem o bolso. E não é do bolso do usuário que estamos falando...

Por Rafaela Carvello
Estudante de Jornalismo UCG

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Abertas inscrições para o Concurso Universitário de Jornalismo CNN*

Daniela Cabral – 7º período

Estão abertas as inscrições para o 5º Concurso Universitário de Jornalismo CNN com o seguinte tema: O uso da tecnologia no desenvolvimento social. O concurso é gratuito e tem como objetivo incentivar e premiar o talento dos participantes pelo desempenho na elaboração de matérias em vídeo.

O vencedor terá seu vídeo exibido na CNN International, além de conhecer os estúdios do canal em Atlanta, nos EUA.

O diferencial dessa quinta edição para as anteriores é que agora o candidato deverá postar seu vídeo no youtube, o que dá maior visibilidade para o trabalho.

O concurso é um evento nacional promovido pela Turner International e aberto somente a alunos de jornalismo. É constituído apenas por uma etapa com duas fases de julgamento.

As matérias serão avaliadas sob os seguintes critérios: adequação ao tema proposto e aos objetivos do briefing; conceito; passagem; off; sonora; criatividade e originalidade. O vídeo deverá ter duração máxima de dois minutos.

Interessados devem se inscrever pelo site do concurso até o dia 29 de junho. Os trabalhos deverão ser postados nesse mesmo período . A premiação acontecerá em 12 de agosto de 2009.

* Notícia postado no site Católica Digital: http://www.catolicadigital.ucg.br/home/secao.asp?id_secao=2453&id_unidade=4

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Estudante defende a não exigência do diploma*

DIPLOMA DE JORNALISMO
Mercado está saturado há muito tempo

Por José Jacote Júnior em 7/4/2009

Antes que comecem a me atirar pedras, afirmo que sou estudante de Jornalismo e, independente do que rolar no dia 15, irei concluir meu curso. Mas vamos lá, todos estão esperando. Sou absolutamente contra um diploma para exercer a profissão jornalismo.

Muita gente tem dito que sem a necessidade do diploma o mercado vai ficar saturado. Hello? Observem o mercado. Ele está saturado há muito, muito tempo. Temos hoje, no Brasil, 497 cursos superiores de Jornalismo com média de 26 estudantes formandos por curso. Amigo, me desculpe, mas o mercado já está saturado e tem tempo. E quer saber a minha opinião sobre isso? Eu acho que o mercado vai é aliviar. Porque, graças a Deus, 20 e tantos mongos da minha sala vão finalmente cair na real que aquilo não é para eles. Que não são e provavelmente nunca serão jornalistas.

Existem aqueles que gostam de toda essa parafernália de números, estatísticas, dados. Vou apresentar um dado curioso: em países como Estados Unidos, Itália, Japão, Alemanha, França, Grécia, Suíça e Suécia não é necessário o diploma para exercer a supracitada função. Na contramão, exigindo o diploma, temos países como Brasil, Equador, Turquia, Colômbia, África do Sul, Costa do Marfim, Arábia Saudita, Congo, dentre outros. A interpretação é livre.

Ou se é, ou não se é

Todo dia discutimos a qualidade de ensino no Brasil. Não passa um dia da minha vida que eu não ouça alguma coisa ligada a isso. Quem sabe não vá acontecer de hoje para amanhã, mas sem a necessidade do diploma – os cursos ruins tendem a desaparecer. Não vai existir a necessidade deles. Por que, diabos, alguém vai querer fazer algo opcional e ruim? Este ponto, por si só, solidifica a opinião de que, com a retirada permanente da exigência do diploma, as instituições que oferecerem um curso de Jornalismo, de especialização ou não, vão melhorar suas cadeiras, seus profissionais e sua atenção para com os alunos. Estamos falando sobre um nível elevado. Um nível digno de estudo ao qual, particularmente, acredito que todos temos direito. Falamos sobre ensino no Brasil e uma melhora considerável parece utópica na maioria das vezes. Pois é, caros, estou apresentando uma oportunidade palpável e muito próxima para vocês.

Para piorar, tem aqueles que dizem: "Isso é injusto! Estudei quatro anos para me tornar jornalista! Quer dizer que os outros, sem diploma, vão pegar meu emprego?". Caso isso aconteça, acredito que estamos acordados sobre a desnecessidade do diploma para exercer a profissão. E me desculpem os quadrados, mas jornalista não é jornalista por um diploma. Um papel. Jornalista é jornalista por sua cabeça, por sua cultura, por sua consciência, por sua ética e por seu intelecto. Jornalista é jornalista. Ou se é, ou não se é. Simples assim. E isso nenhum diploma deveria ter o direito de mudar...

Matéria publicada no site do observatório da Imprensa. Link:http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=532DAC002

Brasileiro lê pouco e mídia reforça tendência*

Por Verbena Córdula em 7/4/2009

Matéria da Agência Senado apresentou números alarmantes acerca da leitura de livros no Brasil. O povo brasileiro não chega a ler três obras literárias por ano. Não é nenhuma novidade que o povo neste país não se interesse pela leitura de livros, uma vez que, cotidianamente, os estímulos que o cerca não sugerem aproximação e intimidade com os livros. Pelo contrário. Exemplo disso são as telenovelas, que fazem parte do cotidiano de uma parcela considerável da população, bem como alguns personagens tidos como ícones, principalmente pela juventude, a exemplo de cantores, atrizes, atores, jogadores de futebol etc.

O conteúdo principal da matéria da Agência Senado diz o seguinte: "O brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos; aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,9 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas, que as escolas exigem dos alunos. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios."

Estes dados, embora estarrecedores, revelam uma realidade que se configura em conseqüência de uma série de fatores, entre eles a fragilidade – para não dizer ineficácia total – do sistema educacional do país, que não apresenta uma diretriz clara no que tange ao tipo de cidadão que pretende formar. Aliás, apresenta, sim! A educação brasileira, especialmente a pública, existe apenas no papel, nas estatísticas, que, diga-se de passagem, a cada ano estão mais maquiadas e ainda assim demonstram a vergonha do que se chama ensino público no Brasil.

Sem qualquer importância

Mas, saindo desta questão, que é deveras profunda, aqui vamos nos ater aos estímulos externos ao sistema educacional que poderiam despertar, sobretudo nos jovens, o gosto pela leitura: as telenovelas, os programas televisivos de um modo geral e, inclusive, as diversas campanhas publicitárias, oficiais ou não, que utilizam certos ícones como garoto(a)-propaganda.

A novela Caminhos das Índias, exibida pela rede de maior audiência do país, a Globo, pode ser utilizada como ilustração para refletirmos acerca desses estímulos: nas poucas vezes em que uma obra literária apareceu nas cenas daquela teledramaturgia, foi apresentada com nenhuma importância.

Primeiro, a telenovela mostrou o livro como companhia para o personagem Raul Cadoli (interpretado pelo ator Alexandre Borges), o qual, após sofrer um atentado à bala, viu-se obrigado a repousar e, como não poderia fazer nada, pegou uma obra literária. No entanto, as cenas que mostravam o personagem com o livro sempre o faziam na hora que entrava alguém no quarto, momento quando, imediatamente, a obra literária era fechada e deixada de lado. A novela não mostrou nenhuma cena do personagem lendo ou demonstrando interesse pela leitura.

Outro momento em que livros apareceram na telenovela foi no capítulo exibido na terça-feira (24/3), quando a personagem Sílvia Cadoli (interpretada pela atriz Débora Bloch), aparecia manuseando uns exemplares como se os tivesse arrumando em um móvel (que não era uma estante). Mas a cena foi interrompida imediatamente com a chegada de Raul e, da mesma maneira que a cena anteriormente narrada, a presença dos livros não teve importância alguma naquela passagem.

Não gosta de ler e não lê

Assistida por milhões de brasileiros, de diversas faixas etárias, a telenovela poderia servir como um estímulo ao ato de ler. Ao contrário, estimula jovens a cometer atos violentos – como é o caso do personagem Zeca, interpretado pelo ator Duda Nagle, que freqüentemente (inclusive com a conivência dos pais) espanca colega, comete crime via internet, entre outros.

Saindo da teledramaturgia, podemos usar como exemplo as campanhas publicitárias. Inclusive aquelas realizadas pelos governos federal, estaduais e municipais, que costumeiramente utilizam certas personalidades consideradas ícones, sobretudo pela juventude, para transmitirem mensagens educativas (é bom lembrar que estas poderiam ser mais freqüentes e melhores elaboradas). Nelas, não se vê pessoas ligadas ao mundo da leitura e dos livros. Acaso alguém já viu o escritor João Ubaldo Ribeiro, por exemplo, transmitindo alguma mensagem oficial? Acredito que não. No entanto, Claudia Leitte, Ivete Sangalo, Ronaldo Nazário e tantos outros considerados ídolos da juventude, sim, já o fizeram e continuam fazendo.

A cantora Ivete Sangalo, só para citar um caso (que indubitavelmente esbanja talento, beleza física e simpatia e é um dos ícones da juventude brasileira), não cansa de, ao conceder entrevistas, afirmar, com veemência, que não gosta de ler e não lê. Certa feita, em plano carnaval da Bahia, Sangalo cumprimentou o também baiano e escritor João Ubaldo Ribeiro, afirmando que, apesar de admirá-lo muito (sic), nunca havia lido um livro dele.

O gosto pelo conhecimento

Aí estão os estímulos que a nossa juventude recebe. Sangalo é garota-propaganda de várias marcas, está na mídia cotidianamente e, portanto, não deixa de ser uma influência significativa na vida das pessoas. E o que ela diz acaba servindo como referência para muitos, principalmente a juventude que acompanha sua carreira, comprando discos e assistindo aos shows.

Lamentavelmente, teríamos inúmeros exemplos como este para citar, o que tornaria esta reflexão muito longa e talvez imprópria para este espaço. Contudo, os exemplos aqui citados servem como demonstração do quanto a mídia e aqueles que a utilizam como meio de disseminação de mensagens as mais variadas vêm corroborando para a manutenção dessa triste estatística publicada no início do mês de março pela Agência Senado.

Exemplo diferente dá o nosso vizinho do lado, a Argentina, país cuja capital possui mais livrarias do que todo o território brasileiro. No último dia 23, durante a partida de futebol entre Boca Juniors e Tigre, as duas equipes se apresentaram ao estádio de uma maneira bem inusitada, interessante e educativa: os jogadores, vestidos com jalecos escolares, acompanhados de meninos e meninas vestidos com os uniformes dos dois clubes, apareceram diante da torcida afirmando: Si vas a la esculea, el ídolo sos vos (Se vai à escola, o ídolo é você).

Imaginemos Ronaldo, Júlio César, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros ídolos do futebol, ou mesmo Claudia Leitte, Ivete Sangalo, Chiclete com Banana ou Xuxa, falando para jovens, crianças e adultos que é legal ler, que é interessante e importante a intimidade com os livros; ou as telenovelas que tanto fazem sucesso, estimulando o gosto pela leitura, através de passagens que fizessem claras apologias ao livro. Talvez isso se traduzisse em uma mudança de comportamento e a mídia tivesse um papel importante neste cenário, que por agora só faz parte da vontade de quem já descobriu o gosto pelo conhecimento e mesmo pela aventura que pode significar a leitura de um livro.

*Extraído do site do Observatório da Imprensa. Link:http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=532AZL001