segunda-feira, 30 de março de 2009
sábado, 28 de março de 2009
Mobilização em defesa do diploma de jornalista*

"Vigílias e atos movimentam o País em defesa do diploma em Jornalismo
Um grande movimento já se manifesta em todo o País nos dias que antecedem a votação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do Recurso Extraordinário (RE) nº 511961, que questiona a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo como requisito para o exercício da profissão. Um folder elaborado pela FENAJ em defesa do diploma já circula em faculdades, redações e manifestações públicas. Um esquema especial, com manifestações em Brasília e em diversas cidades brasileiras, está sendo montado. A Federação e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma exortam todos os apoiadores da causa a participarem dessas atividades para assegurar a vitória do movimento.
Questionada por segmentos patronais e pelo Ministério Público Federal de São Paulo, a constitucionalidade da exigência do diploma em Jornalismo foi vitoriosa na mais alta instância do Judiciário que analisou o mérito da matéria até o momento, o Tribunal Regional Federal de São Paulo, que aprovou, por unanimidade, a tese defendida pelos representantes dos jornalistas. A expectativa agora é de que, como instância maior e final de recurso, o STF confirme tal posição. Confiantes na vitória, a FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma consideram, no entanto, que para que isso ocorra é fundamental um grande movimento social de sensibilização dos 11 ministros que se posicionarão sobre o RE que tramita no STF.
A Federação produziu um folder que já está sendo distribuído em todo o País, alertando para o fato de que a sociedade, depois de enfrentar a ditadura durante 21 anos, pode estar diante de um novo golpe. "Desta vez, direcionado contra o seu direito de receber informação qualificada, apurada por profissionais capacitados para exercer o Jornalismo, com formação teórica, prática e ética".
Dispostos à construção de um forte movimento nesse período decisivo quanto à defesa do diploma, a FENAJ e a Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma orientaram as entidades apoiadoras do movimento a construírem manifestações e vigílias no dia 1º de abril e durante a Semana do Jornalista (ver programação nos Estados na matéria a seguir). Junto aos Sindicatos dos Jornalistas do Distrito Federal e de Goiás, a FENAJ prepara um Ato Público Nacional em Defesa do Diploma, numa grande manifestação em frente ao STF para o dia 1º de abril, com início às 13 horas. Alojamento a baixo custo também foi providenciado para as delegações que virão de outros Estados. Os interessados em reservas devem entrar em contato com o diretor da FENAJ, José Carlos Torves.
Entidades nacionais estão sendo convidadas a participarem da concentração em Brasília e mobilizarem suas representações nos Estados a participarem das atividades que estão sendo programadas. Também está sendo articulada a participação de bancadas parlamentares federais e estaduais na mobilização. Um esquema de cobertura em tempo real está sendo montado para atualização do site da FENAJ e dos Sindicatos de Jornalistas.
Para estimular os professores de Jornalismo a participarem do movimento, o presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Edson Spenthof, encaminhou mensagem ao segmento por intermédio da lista de discussão da entidade, que reúne mais de 400 docentes no País. “A direção do FNPJ entende que todos nós temos um compromisso importante nesses dias que antecedem o julgamento da constitucionalidade da exigência do diploma para o exercício do Jornalismo”, destaca Spenthof.
O professor apontou um erro conceitual que envolve o julgamento do recurso pelo STF e o que isso pode acarretar para o futuro do Jornalismo no Brasil: “Por trás do argumento de que essa obrigatoriedade fere o direito à manifestação do pensamento, está a ideia de que o exercício profissional do Jornalismo é o da opinião, e não da informação e da mediação das opiniões que disputam visibilidade na esfera pública”. E completa: “Além de confundir determinado exercício profissional com um direito humano fundamental, que não se realiza mediante o exercício profissional (o jornalista não manifesta sua opinião nas notícias e reportagens que escreve), atende ao jogo dos empresários do setor, especialmente ao escamotear que quem passa a ter mais poderes ainda para escolher aqueles que opinam nos seus espaços e terá direito ao exercício da profissão (ou da opinião, como estão querendo) é o dono do veículo”.
A coordenação da campanha também orienta seus apoiadores a enviarem mais mensagens ao STF, conforme texto sugestão que está no site da FENAJ. Outros materiais da campanha podem ser acessados clicando aqui.
A apreciação do recurso pelo STF ocorre no mesmo período do julgamento da ação direta de inconstitucionalidade contra a Lei de Imprensa."
*Extraído do site da Federação Nacional dos Jornalistas, FENAJ.
Link:http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=2497
sexta-feira, 27 de março de 2009
Dona da Daslu liberada
É minha gente! A milionária Eliana Tranchesi já foi solta mediante habeas corpus.
No Brasil, fica preso só ladrão de galinha. Proprietária de loja de artigo de luxo, não.
No Brasil, fica preso só ladrão de galinha. Proprietária de loja de artigo de luxo, não.
Olhe nos meus olhos...
Milionária na cadeia
quarta-feira, 25 de março de 2009
Jornalísta demitida após fazer crítica
"Dizem" as más, e boas línguas também, que a jornalista Salete Lemos foi demitida após fazer críticas aos bancos. Assista ao vídeo.
Aborto X Igreja X Políticos

Incoerência católica*
Aos colegas de Pernambuco responsáveis pelo abortamento na menina de nove anos, quero dar os parabéns. Nossa profissão foi criada para aliviar o sofrimento humano; exatamente o que vocês fizeram dentro da lei ao interromper a prenhez gemelar numa criança franzina.
Apesar da ausência de qualquer gesto de solidariedade por parte de nossas associações, conselhos regionais ou federais, estou certo de que lhes presto esta homenagem em nome de milhares de colegas nossos.
Não se deixem abater, é preciso entender as normas da Igreja Católica. Seu compromisso é com a vida depois da morte. Para ela, o sofrimento é purificador: "Chorai e gemei neste vale de lágrimas, porque vosso será o reino dos céus", não é o que pregam?
É uma cosmovisão antagônica à da medicina. Nenhum de nós daria tal conselho em lugar de analgésicos para alguém com cólica renal. Nosso compromisso profissional é com a vida terrena, o deles, com a eterna. Enquanto nossos pacientes cobram resultados concretos, os fiéis que os seguem precisam antes morrer para ter o direito de fazê-lo.
Podemos acusar a Igreja Católica de inúmeros equívocos e de crimes contra a humanidade, jamais de incoerência. Incoerentes são os católicos que esperam dela atitudes incompatíveis com os princípios que a regem desde os tempos da Inquisição.
Se os católicos consideram o embrião sagrado, já que a alma se instalaria no instante em que o espermatozoide se esgueira entre os poros da membrana que reveste o óvulo, como podem estranhar que um prelado reaja com agressividade contra a interrupção de uma gravidez, ainda que a vida da mãe estuprada corra perigo extremo?
O arcebispo de Olinda e Recife não cometeu nenhum disparate, agiu em obediência estrita ao Código Penal do Direito Canônico: o cânon 1398 prescreve a excomunhão automática em caso de abortamento.
Por que cobrar a excomunhão do padrasto estuprador, quando os católicos sempre silenciaram diante dos abusos sexuais contra meninos, perpetrados nos cantos das sacristias e dos colégios religiosos? Além da transferência para outras paróquias, qual a sanção aplicada contra os atos criminosos desses padres que nós, ex-alunos de colégios católicos, testemunhamos?
Não há o que reclamar. A política do Vaticano é claríssima: não excomunga estupradores.
Em nota à imprensa a respeito do episódio, afirmou Gianfranco Grieco, chefe do Conselho do Vaticano para a Família: "A igreja não pode nunca trair sua posição, que é a de defender a vida, da concepção até seu término natural, mesmo diante de um drama humano tão forte, como o da violência contra uma menina".
Por que não dizer a esse senhor que tal justificativa ofende a inteligência humana: defender a vida da concepção até a morte? Não seja descarado, senhor Grieco, as cadeias estão lotadas de bandidos cruéis e de assassinos da pior espécie que contam com a complacência piedosa da instituição à qual o senhor pertence.
Os católicos precisam ver a igreja como ela é, aferrada a sua lógica interna, seus princípios medievais, dogmas e cânones. Embora existam sacerdotes dignos de respeito e admiração, defensores dos anseios das pessoas humildes com as quais convivem, a burocracia hierárquica jamais lhes concederá voz ativa.
A esperança de que a instituição um dia adote posturas condizentes com os apelos sociais é vã; a modernização não virá. É ingenuidade esperar por ela.
Os males que a igreja causa à sociedade em nome de Deus vão muito além da excomunhão de médicos, medida arbitrária de impacto desprezível. O verdadeiro perigo está em sua vocação secular para apoderar-se da maquinária do Estado, por meio do poder intimidatório exercido sobre nossos dirigentes.
Não por acaso, no presente episódio manifestaram suas opiniões cautelosas apenas o presidente da República e o ministro da Saúde.
Os políticos não ousam afrontar a igreja. O poder dos religiosos não é consequência do conforto espiritual oferecido a seus rebanhos nem de filosofias transcendentais sobre os desígnios do céu e da terra, ele deriva da coação exercida sobre os políticos.
Quando a igreja condena a camisinha, o aborto, a pílula, as pesquisas com células-tronco ou o divórcio, não se limita a aconselhar os católicos a segui-la, instituição autoritária que é, mobiliza sua força política desproporcional para impor proibições a todos nós."
*Recebido por e-mail. Autoria atribuída ao doutor Drauzio Varella, para o jornal Folha de São Paulo.
Sugestão de publicação do aluno Geovane Gomes.
Conferência Nacional de Jornalismo*
"Antes tarde do que nunca
Por Laurindo Lalo Leal Filho em 24/3/2009
Reproduzido da Agência Carta Maior, 21/3/2009
No Brasil, comunicação sempre foi um não-assunto. Contam-se nos dedos os jornais que, em algum momento, abriram espaço para uma reflexão crítica a respeito do próprio trabalho. Para o rádio e a televisão dispensam-se os dedos, não há autocrítica. Se do conteúdo informativo pouco ou nada se fala, sobre as lutas de seus trabalhadores o silêncio é total. Lembro uma campanha salarial liderada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná que espalhou outdoors por Curitiba com a frase "A nossa dor não sai nos jornais". Naquela época, anos 1980, as dores de outras categorias até apareciam em algumas páginas, menos a dos jornalistas.
E os jornalistas, além das suas dores e angústias profissionais, têm muito a falar sobre a sociedade e os meios de comunicação. Muito mais do que seus patrões permitem. Claro que há jornalistas e jornalistas, como lembrou em artigo exemplar nesta página Marcelo Salles. São, de um lado, os que estão comprometidos com as imprescindíveis e necessárias transformações sociais e, de outro, os ventríloquos dos que lhes pagam altos salários no fim do mês. A maioria ganha pouco, trabalha muito e tem que ficar quietinha cumprindo as pautas determinadas pelos interesses empresariais.
Democracia de menos
Essa divisão se já era bem nítida, agora escancarou-se diante da anunciada realização da Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica de vários setores da sociedade. Bastou o governo confirmar o evento, a campanha contra começou. E a ordem veio de cima, bem de cima: da associação internacional dos donos da mídia no continente, conhecida pela sigla SIP (Sociedade Interamericana de Prensa). A entidade se diz preocupada "porque os debates (na Conferência) serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que pretendem interferir no funcionamento da imprensa". Expressão que pode ser traduzida pelo temor diante da possibilidade de um debate mais sério e aprofundado sobre o pensamento único imposto pelos grandes meios de comunicação aos nossos países. Afinal, debates como o proposto podem conduzir a ações práticas, capazes de impor limites a esse poder incontrolado.
Do lado patronal dificilmente sairia posição diferente, afinal estão defendendo interesses de classe seculares. O triste é constatar que enquanto centenas de trabalhadores da mídia mobilizam-se em todo o Brasil a favor da realização da Conferência, uns poucos jornalistas e radialistas agem em sentido contrário. Caso emblemático é o de um âncora e de uma repórter da rádio CBN que usaram longos minutos da programação para ecoar pelo país as posições dos seus patrões. Usavam o velho procedimento dos comunicadores populares, decodificando para grandes audiências as concepções ideológicas de quem lhes paga os salários. Esbanjando informalidade, usando a ridicularização como arma, eles levam ao ouvinte as mesmas idéias que os jornais apresentam de forma mais elaborada, nos editoriais ou nas colunas dos seus articulistas. Colaboram, dessa forma, para popularizar as idéias da classe dominante tornando-as dominantes em toda a sociedade, como já notava aquele pensador do século 19, cada vez mais atual.
Mas há resistência. Rapidamente os sindicatos dos jornalistas do Distrito Federal e do Rio de Janeiro foram a público repudiar a posição da SIP e dos seus porta vozes nacionais. Os jornalistas do DF através de sua entidade perguntam "O que pretendem os grandes empresários da comunicação? Pressionar o governo para retirar o apoio à Conferência, facilitando assim a manutenção intacta dos oligopólios que dominam, e que manipulam a informação, em detrimento do interesse público". E os fluminenses afirmam: "A nossa entidade não pode silenciar diante do posicionamento pouco democrático manifestado pela SIP. É preciso deixar bem claro que o patronato mente quando diz que defende a liberdade de imprensa, pois está, isto sim, defendendo de fato a liberdade de empresa, que não aceita a ampliação dos espaços midiáticos a serem ocupados pelos mais amplos setores representativos do povo brasileiro, como são os movimentos sociais".
Importância da mobilização
Apesar das pressões, não há dúvida que a Conferência vai sair. Pelos estados já se realizam conferências regionais preparatórias para o encontro nacional marcado para o começo de dezembro, em Brasília. Diante do fato irreversível, as entidades patronais tentam impor suas pautas ao debate. Segundo a Folha de S.Paulo, para Paulo Tonet, da Associação Nacional de Jornais, discutir monopólio e propriedade cruzada é um retrocesso. Para ele o tema tem que ser "conteúdo nacional e igualdade de tratamento regulatório". Mais uma frase que precisa tradução: ele quer dizer que a Conferência só deve tratar dos interesses das empresas de rádio e televisão, preocupadíssimas com a entrada no mercado de radiodifusão das operadoras de telecomunicações.
E parte para o sofisma ao chamar de retrocesso a discussão em torno do monopólio e da propriedade cruzada dos meios de comunicação, sem dúvida a maior chaga existente na comunicação social brasileira. Não há como democratizá-la sem que se enfrente com determinação esse obstáculo.
O tema geral da Conferência será "Comunicação: Direito e Cidadania na Era Digital". Amplo o suficiente para caber tudo. Daí a importância da mobilização nacional, necessária para impedir que os interesses empresarias da mídia se sobreponham aos da sociedade. Conferências de outros setores, como saúde, educação e direitos humanos, por exemplo, tem sido decisivas para o encaminhamento das respectivas políticas
públicas. A da comunicação não pode fugir à regra."
*Copiado do site do Observatório da Imprensa. Link: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=530IPB001
Por Laurindo Lalo Leal Filho em 24/3/2009
Reproduzido da Agência Carta Maior, 21/3/2009
No Brasil, comunicação sempre foi um não-assunto. Contam-se nos dedos os jornais que, em algum momento, abriram espaço para uma reflexão crítica a respeito do próprio trabalho. Para o rádio e a televisão dispensam-se os dedos, não há autocrítica. Se do conteúdo informativo pouco ou nada se fala, sobre as lutas de seus trabalhadores o silêncio é total. Lembro uma campanha salarial liderada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná que espalhou outdoors por Curitiba com a frase "A nossa dor não sai nos jornais". Naquela época, anos 1980, as dores de outras categorias até apareciam em algumas páginas, menos a dos jornalistas.
E os jornalistas, além das suas dores e angústias profissionais, têm muito a falar sobre a sociedade e os meios de comunicação. Muito mais do que seus patrões permitem. Claro que há jornalistas e jornalistas, como lembrou em artigo exemplar nesta página Marcelo Salles. São, de um lado, os que estão comprometidos com as imprescindíveis e necessárias transformações sociais e, de outro, os ventríloquos dos que lhes pagam altos salários no fim do mês. A maioria ganha pouco, trabalha muito e tem que ficar quietinha cumprindo as pautas determinadas pelos interesses empresariais.
Democracia de menos
Essa divisão se já era bem nítida, agora escancarou-se diante da anunciada realização da Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica de vários setores da sociedade. Bastou o governo confirmar o evento, a campanha contra começou. E a ordem veio de cima, bem de cima: da associação internacional dos donos da mídia no continente, conhecida pela sigla SIP (Sociedade Interamericana de Prensa). A entidade se diz preocupada "porque os debates (na Conferência) serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que pretendem interferir no funcionamento da imprensa". Expressão que pode ser traduzida pelo temor diante da possibilidade de um debate mais sério e aprofundado sobre o pensamento único imposto pelos grandes meios de comunicação aos nossos países. Afinal, debates como o proposto podem conduzir a ações práticas, capazes de impor limites a esse poder incontrolado.
Do lado patronal dificilmente sairia posição diferente, afinal estão defendendo interesses de classe seculares. O triste é constatar que enquanto centenas de trabalhadores da mídia mobilizam-se em todo o Brasil a favor da realização da Conferência, uns poucos jornalistas e radialistas agem em sentido contrário. Caso emblemático é o de um âncora e de uma repórter da rádio CBN que usaram longos minutos da programação para ecoar pelo país as posições dos seus patrões. Usavam o velho procedimento dos comunicadores populares, decodificando para grandes audiências as concepções ideológicas de quem lhes paga os salários. Esbanjando informalidade, usando a ridicularização como arma, eles levam ao ouvinte as mesmas idéias que os jornais apresentam de forma mais elaborada, nos editoriais ou nas colunas dos seus articulistas. Colaboram, dessa forma, para popularizar as idéias da classe dominante tornando-as dominantes em toda a sociedade, como já notava aquele pensador do século 19, cada vez mais atual.
Mas há resistência. Rapidamente os sindicatos dos jornalistas do Distrito Federal e do Rio de Janeiro foram a público repudiar a posição da SIP e dos seus porta vozes nacionais. Os jornalistas do DF através de sua entidade perguntam "O que pretendem os grandes empresários da comunicação? Pressionar o governo para retirar o apoio à Conferência, facilitando assim a manutenção intacta dos oligopólios que dominam, e que manipulam a informação, em detrimento do interesse público". E os fluminenses afirmam: "A nossa entidade não pode silenciar diante do posicionamento pouco democrático manifestado pela SIP. É preciso deixar bem claro que o patronato mente quando diz que defende a liberdade de imprensa, pois está, isto sim, defendendo de fato a liberdade de empresa, que não aceita a ampliação dos espaços midiáticos a serem ocupados pelos mais amplos setores representativos do povo brasileiro, como são os movimentos sociais".
Importância da mobilização
Apesar das pressões, não há dúvida que a Conferência vai sair. Pelos estados já se realizam conferências regionais preparatórias para o encontro nacional marcado para o começo de dezembro, em Brasília. Diante do fato irreversível, as entidades patronais tentam impor suas pautas ao debate. Segundo a Folha de S.Paulo, para Paulo Tonet, da Associação Nacional de Jornais, discutir monopólio e propriedade cruzada é um retrocesso. Para ele o tema tem que ser "conteúdo nacional e igualdade de tratamento regulatório". Mais uma frase que precisa tradução: ele quer dizer que a Conferência só deve tratar dos interesses das empresas de rádio e televisão, preocupadíssimas com a entrada no mercado de radiodifusão das operadoras de telecomunicações.
E parte para o sofisma ao chamar de retrocesso a discussão em torno do monopólio e da propriedade cruzada dos meios de comunicação, sem dúvida a maior chaga existente na comunicação social brasileira. Não há como democratizá-la sem que se enfrente com determinação esse obstáculo.
O tema geral da Conferência será "Comunicação: Direito e Cidadania na Era Digital". Amplo o suficiente para caber tudo. Daí a importância da mobilização nacional, necessária para impedir que os interesses empresarias da mídia se sobreponham aos da sociedade. Conferências de outros setores, como saúde, educação e direitos humanos, por exemplo, tem sido decisivas para o encaminhamento das respectivas políticas
públicas. A da comunicação não pode fugir à regra."
*Copiado do site do Observatório da Imprensa. Link: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=530IPB001
terça-feira, 24 de março de 2009
Currículo de Jornalismo*
CURRÍCULO DE JORNALISMO
Duas surpresas na audiência do MEC
Por Sylvia Moretzsohn em 24/3/2009
"Duas grandes surpresas – uma no início, outra no final – marcaram a primeira audiência pública para a reformulação das diretrizes curriculares de Jornalismo, na sexta-feira (20/3), no Palácio Capanema, sede da representação do MEC no Rio de Janeiro. A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil.
Ao apresentar os objetivos da audiência, o representante do Ministério da Educação, Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, provocou um burburinho na platéia ao afirmar que o pomo da discórdia da comunidade acadêmica do setor não estava em pauta: "Em momento algum pensamos em separar o Jornalismo da Comunicação Social". Disse isso a título de esclarecimento, mas só poderia causar confusão, uma vez que a iniciativa de revisão das diretrizes provocou o recrudescimento desse debate e levou integrantes da própria comissão de especialistas a se manifestar a favor da autonomia para Jornalismo. No entanto, talvez a frase tivesse outro sentido, porque logo em seguida Wollinger diria algo ainda mais surpreendente: "Não existe curso de Comunicação Social; o que existe é essa grande área da Comunicação, da qual o jornalismo é uma das especialidades".
Era uma afirmação contra toda evidência, a começar pelo nome do curso que vem gravado ano após ano nos diplomas de quem se forma na habilitação em Jornalismo. Porém, se interpretada de outra forma, a declaração inicial faria sentido: afinal, como o que existe de fato são jornalistas, publicitários, relações públicas – e não esse "comunicador" genérico –, seria ocioso discutir se o "curso de Jornalismo" deve ser autônomo, porque esta já seria sua condição inevitável. Assim, não se destacaria da "grande área" da Comunicação – porque, afinal, é Comunicação –, mas obedeceria a diretrizes curriculares próprias, sem qualquer relação com as das outras especialidades do setor. Na prática, portanto, seria já um curso autônomo.
O que, naturalmente, não resolve nada, porque o problema original persiste: quais serão as bases para uma adequada formação de jornalistas? E aqui retornamos à velha questão que divide duas correntes substancialmente distintas, cristalizadas na oposição entre "academicistas" e "tecnicistas", "comunicólogos" e "jornalistas", numa simplificação que jamais ajudou qualquer debate. E que não chegou a ser enfrentada na primeira audiência pública para discutir as diretrizes curriculares.
Polêmica antiga
Os cursos de Comunicação Social são contestados desde que foram criados. Seria excessivo tentar resumir aqui essa história, mesmo porque muita coisa mudou nas duas últimas décadas: basta dizer que até meados dos anos 1980 praticamente não havia jornalistas ou professores com essa experiência profissional dando aula de jornalismo, as escolas não eram dotadas de um mínimo de estrutura laboratorial e a pesquisa específica praticamente inexistia. Tudo isso contribuía para que os cursos se fechassem em torno de teorizações distanciadas da realidade que o futuro jornalista deveria enfrentar e fossem, portanto, desdenhados pelos profissionais formados "na prática" e pelos próprios estudantes.
Hoje ainda estamos longe do ideal – e mais ainda de um consenso sobre o que deva ser esse ideal –, mas a situação é radicalmente distinta. Apesar disso, frequentemente repetem-se os argumentos daqueles velhos tempos. Foi o que ocorreu há 10 anos, quando se iniciou o processo de avaliação das condições de oferta da habilitação em Jornalismo dos cursos de Comunicação Social. A avaliação exclusiva desta habilitação era uma tentativa de forçar a criação de um curso específico, desligado da "geléia geral" da Comunicação.
Este Observatório refletiu e estimulou a intensa polêmica durante meses seguidos. Então, como agora, prevalecia o pragmatismo entre os partidários do curso autônomo. Na época, um dos argumentos mais exuberantes nesse sentido valorizava a formação de profissionais comparados à excelência de um i-Mac: era "só ligar na tomada e começar a trabalhar". Hoje, talvez em decorrência da preocupação com a inserção mais imediata do estudante num mercado de trabalho ao mesmo tempo tão diversificado e precário, defende-se um perfil de prestador de serviços. Num caso e noutro, o que prevalece é a concepção de universidade operacional.
O consenso sobre o óbvio
Na reunião com a comissão de especialistas, passou-se ao largo dessa questão. Nós, da Universidade Federal Fluminense, apresentamos um documento sintético, de quatro páginas, defendendo o jornalismo como "um `campo de saber´ do abrangente campo de conhecimento da Comunicação", que exige a articulação entre uma sólida base humanística e uma oferta ampliada de opções para a formação profissional específica, de modo que o aluno possa "direcionar seus estudos para as áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando as alternativas de conhecimento e de prática profissional". Mas a ênfase é na formação ética do jornalista e na conscientização sobre as dificuldades e as responsabilidades envolvidas no desempenho de seu papel de mediador.
Uma decorrência lógica dessa concepção é o entendimento de que a universidade não está aí para formar prestadores de serviço, mas sujeitos dotados de autonomia intelectual, capazes de exercer competentemente a profissão que escolheram. Mas essa questão central não foi discutida e as discordâncias praticamente não apareceram, a ponto de uma professora enaltecer o consenso em torno da melhoria da qualidade dos cursos.
Além de óbvio, tratava-se de um consenso prévio. Evidentemente, ninguém pode ser contra a qualidade: o problema é saber o que cada um entende por isso. Porém um ponto essencial foi levantado pelo presidente do Fórum Nacional de Professores do Jornalismo, Edson Spenthof: a necessidade de se responder à pergunta sobre "o que é jornalismo" para uma definição mais clara das novas diretrizes. Imagine-se o grau de controvérsia que esse debate há de gerar, especialmente nesses tempos de enaltecimento da figura do "jornalista-cidadão".
Spenthof também fez uma observação conceitual relevante sobre as recorrentes demandas pela formação "multimídia", normalmente associada à simultaneidade: não era disso que se tratava, mas sim do desenvolvimento de habilidades diversificadas. Desempenhar várias funções ao mesmo tempo representaria a tentativa, previamente frustrada, de assoviar e chupar cana, uma impossibilidade física que – acrescento eu – resulta na precariedade sistematicamente verificada no noticiário cotidiano.
A universidade redentora
As divergências certamente aparecerão nas propostas a serem enviadas diretamente à comissão até o fim do mês. Ali, no Salão Portinari do Palácio Capanema, ícone da arquitetura modernista brasileira no Centro do Rio, preservou-se o ambiente ameno. Mas, já perto do encerramento da audiência, um comentário mais geral do representante da Executiva Nacional dos Estudantes em Comunicação, Felipe Melo, sobre as diferenças entre cursos privados e públicos e sobre a política de expansão do ensino superior, provocou a segunda grande surpresa do dia. Ao responder à crítica, o representante do MEC defendeu enfaticamente a criação de mais cursos, "se possível um em cada esquina", para sanar o déficit no contingente de brasileiros com formação universitária.
Se ficasse por aí, poderíamos apenas condenar o estímulo à proliferação de franquias no melhor estilo McDonald´s e o empenho na fabricação de números, que nos faz recordar o saudoso ministro Paulo Renato Souza. Mas Paulo Wollinger completou, com a fé dos justos: "Cada curso que se abre é um ponto de drogas que se fecha".
Pena que pouca gente notou, ou não percebeu esse detalhe – justamente o detalhe, que é onde mora o diabo. Pois, salvo melhor juízo, essa justificativa para a abertura de novos cursos superiores é inédita. Mais que isso: é simplesmente inacreditável."
Publicado no site do Observatório da Imprensa, link: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=530DAC001
Duas surpresas na audiência do MEC
Por Sylvia Moretzsohn em 24/3/2009
"Duas grandes surpresas – uma no início, outra no final – marcaram a primeira audiência pública para a reformulação das diretrizes curriculares de Jornalismo, na sexta-feira (20/3), no Palácio Capanema, sede da representação do MEC no Rio de Janeiro. A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil.
Ao apresentar os objetivos da audiência, o representante do Ministério da Educação, Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, provocou um burburinho na platéia ao afirmar que o pomo da discórdia da comunidade acadêmica do setor não estava em pauta: "Em momento algum pensamos em separar o Jornalismo da Comunicação Social". Disse isso a título de esclarecimento, mas só poderia causar confusão, uma vez que a iniciativa de revisão das diretrizes provocou o recrudescimento desse debate e levou integrantes da própria comissão de especialistas a se manifestar a favor da autonomia para Jornalismo. No entanto, talvez a frase tivesse outro sentido, porque logo em seguida Wollinger diria algo ainda mais surpreendente: "Não existe curso de Comunicação Social; o que existe é essa grande área da Comunicação, da qual o jornalismo é uma das especialidades".
Era uma afirmação contra toda evidência, a começar pelo nome do curso que vem gravado ano após ano nos diplomas de quem se forma na habilitação em Jornalismo. Porém, se interpretada de outra forma, a declaração inicial faria sentido: afinal, como o que existe de fato são jornalistas, publicitários, relações públicas – e não esse "comunicador" genérico –, seria ocioso discutir se o "curso de Jornalismo" deve ser autônomo, porque esta já seria sua condição inevitável. Assim, não se destacaria da "grande área" da Comunicação – porque, afinal, é Comunicação –, mas obedeceria a diretrizes curriculares próprias, sem qualquer relação com as das outras especialidades do setor. Na prática, portanto, seria já um curso autônomo.
O que, naturalmente, não resolve nada, porque o problema original persiste: quais serão as bases para uma adequada formação de jornalistas? E aqui retornamos à velha questão que divide duas correntes substancialmente distintas, cristalizadas na oposição entre "academicistas" e "tecnicistas", "comunicólogos" e "jornalistas", numa simplificação que jamais ajudou qualquer debate. E que não chegou a ser enfrentada na primeira audiência pública para discutir as diretrizes curriculares.
Polêmica antiga
Os cursos de Comunicação Social são contestados desde que foram criados. Seria excessivo tentar resumir aqui essa história, mesmo porque muita coisa mudou nas duas últimas décadas: basta dizer que até meados dos anos 1980 praticamente não havia jornalistas ou professores com essa experiência profissional dando aula de jornalismo, as escolas não eram dotadas de um mínimo de estrutura laboratorial e a pesquisa específica praticamente inexistia. Tudo isso contribuía para que os cursos se fechassem em torno de teorizações distanciadas da realidade que o futuro jornalista deveria enfrentar e fossem, portanto, desdenhados pelos profissionais formados "na prática" e pelos próprios estudantes.
Hoje ainda estamos longe do ideal – e mais ainda de um consenso sobre o que deva ser esse ideal –, mas a situação é radicalmente distinta. Apesar disso, frequentemente repetem-se os argumentos daqueles velhos tempos. Foi o que ocorreu há 10 anos, quando se iniciou o processo de avaliação das condições de oferta da habilitação em Jornalismo dos cursos de Comunicação Social. A avaliação exclusiva desta habilitação era uma tentativa de forçar a criação de um curso específico, desligado da "geléia geral" da Comunicação.
Este Observatório refletiu e estimulou a intensa polêmica durante meses seguidos. Então, como agora, prevalecia o pragmatismo entre os partidários do curso autônomo. Na época, um dos argumentos mais exuberantes nesse sentido valorizava a formação de profissionais comparados à excelência de um i-Mac: era "só ligar na tomada e começar a trabalhar". Hoje, talvez em decorrência da preocupação com a inserção mais imediata do estudante num mercado de trabalho ao mesmo tempo tão diversificado e precário, defende-se um perfil de prestador de serviços. Num caso e noutro, o que prevalece é a concepção de universidade operacional.
O consenso sobre o óbvio
Na reunião com a comissão de especialistas, passou-se ao largo dessa questão. Nós, da Universidade Federal Fluminense, apresentamos um documento sintético, de quatro páginas, defendendo o jornalismo como "um `campo de saber´ do abrangente campo de conhecimento da Comunicação", que exige a articulação entre uma sólida base humanística e uma oferta ampliada de opções para a formação profissional específica, de modo que o aluno possa "direcionar seus estudos para as áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando as alternativas de conhecimento e de prática profissional". Mas a ênfase é na formação ética do jornalista e na conscientização sobre as dificuldades e as responsabilidades envolvidas no desempenho de seu papel de mediador.
Uma decorrência lógica dessa concepção é o entendimento de que a universidade não está aí para formar prestadores de serviço, mas sujeitos dotados de autonomia intelectual, capazes de exercer competentemente a profissão que escolheram. Mas essa questão central não foi discutida e as discordâncias praticamente não apareceram, a ponto de uma professora enaltecer o consenso em torno da melhoria da qualidade dos cursos.
Além de óbvio, tratava-se de um consenso prévio. Evidentemente, ninguém pode ser contra a qualidade: o problema é saber o que cada um entende por isso. Porém um ponto essencial foi levantado pelo presidente do Fórum Nacional de Professores do Jornalismo, Edson Spenthof: a necessidade de se responder à pergunta sobre "o que é jornalismo" para uma definição mais clara das novas diretrizes. Imagine-se o grau de controvérsia que esse debate há de gerar, especialmente nesses tempos de enaltecimento da figura do "jornalista-cidadão".
Spenthof também fez uma observação conceitual relevante sobre as recorrentes demandas pela formação "multimídia", normalmente associada à simultaneidade: não era disso que se tratava, mas sim do desenvolvimento de habilidades diversificadas. Desempenhar várias funções ao mesmo tempo representaria a tentativa, previamente frustrada, de assoviar e chupar cana, uma impossibilidade física que – acrescento eu – resulta na precariedade sistematicamente verificada no noticiário cotidiano.
A universidade redentora
As divergências certamente aparecerão nas propostas a serem enviadas diretamente à comissão até o fim do mês. Ali, no Salão Portinari do Palácio Capanema, ícone da arquitetura modernista brasileira no Centro do Rio, preservou-se o ambiente ameno. Mas, já perto do encerramento da audiência, um comentário mais geral do representante da Executiva Nacional dos Estudantes em Comunicação, Felipe Melo, sobre as diferenças entre cursos privados e públicos e sobre a política de expansão do ensino superior, provocou a segunda grande surpresa do dia. Ao responder à crítica, o representante do MEC defendeu enfaticamente a criação de mais cursos, "se possível um em cada esquina", para sanar o déficit no contingente de brasileiros com formação universitária.
Se ficasse por aí, poderíamos apenas condenar o estímulo à proliferação de franquias no melhor estilo McDonald´s e o empenho na fabricação de números, que nos faz recordar o saudoso ministro Paulo Renato Souza. Mas Paulo Wollinger completou, com a fé dos justos: "Cada curso que se abre é um ponto de drogas que se fecha".
Pena que pouca gente notou, ou não percebeu esse detalhe – justamente o detalhe, que é onde mora o diabo. Pois, salvo melhor juízo, essa justificativa para a abertura de novos cursos superiores é inédita. Mais que isso: é simplesmente inacreditável."
Publicado no site do Observatório da Imprensa, link: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=530DAC001
sábado, 21 de março de 2009
Para quem quer ser jornalista*
"Nunca me senti à vontade dando conselhos. Sou adepto daquela velha e boa máxima de que se fosse muito bom, nego não estaria dando - venderia na alta. Mas, de uns tempos para cá, ando sendo bastante abordado por pessoas em fase vestibulanda que querem pegar dicas sobre a vida do jornalismo e tudo o que envolve essa profissão que abracei. Isso se deve a dois motivos básicos: me tornei professor do curso de Jornalismo (o que motiva as pessoas a questionarem as condições de tal faculdade em comparação com outras; dúvidas sobre a grade; coisas desse tipo) e trabalho na Rádio Interativa, que é direcionada ao público jovem (justamente na fase da vida que o cara tem que escolher onde ele irá labutar diariamente por longos anos futuros). Com isso, meu orkut, meu e-mail, meu celular, todas as formas de contato já inventadas e que tenho acesso vivem bombadas de gente perguntando sobre o curso.
Primeiramente, devo assumir sem o menor receio de dar um tiro errado que eu mandei bem ao escolher o Jornalismo. Me sinto muito confortável nessa profissão, mesmo com todas as reclamações quando pego meu contracheque. Então, qualquer coisa que eu diga sobre esse assunto irá naturalmente passar por esse crivo personalíssimo de minha satisfação e alegria com o que faço. Qualquer exagero, por favor, dê um desconto!
Minha formação intelectual durante a adolescência se deu com o punk rock. E também com o grunge, mesmo esse sendo nada mais que o bom e velho punk, com um pedal de distorção a mais na guitarra e um disco do Black Sabbath na cabeceira. Então o do it yourself é uma coisa bastante cara para mim. Acredito mesmo nessa premissa. E o Jornalismo é uma coisa muito faça você mesmo. Não boto fé alguma em jornalista que não carregue para cima e para baixo algo para ler. Que seja uma revista, que seja o último best-seller mequetrefe, que seja um clássico irrefutável da literatura mundial. Jornalista tem que ler. Tem que ler. Ler. E ler. Se não for assim, pode até ser jornalista, mas sempre será do time dos medíocres. Isso é a coisa mais do it yourself que o jornalista pode fazer: ganhar mais e mais embasamento para ele próprio formular sua concepções de mundo, polemizar mais, discutir mais, argumentar mais.
Não acredito em jornalista que fica pendurado na barra da saia do poder. Já dizia Millôr (um mestre!), que Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados. Estou com ele e não abro. Não existe essa balela da imparcialidade, neutralidade e bobagens afins. Jornalista tem lado. Sempre. E eu acho que o melhor lado é o do contra. Realmente nadar contra a corrente. Não acreditar na primeira versão de um fato. Isso ainda me fascina. E não tem nada a ver com fazer assessoria para o poder. Dá para fazer um baita serviço digno sendo assessor comissionado de algum governante. Agora, quando se muda o partido do poder e não se muda o jornalista da assessoria, começo a ficar com a pulga atrás da orelha...
Por fim, acho que a vida em redações é de muito estresse e pesado trabalho, sendo que a grana recebida no final do mês não é compatível com a carga emocional que se suporta, finais de semana e feriados não aproveitados por conta do trabalho e tensões variadas. Contudo, ainda acho isso melhor do que outras possibilidades profissionais. Pode até ser coisa de maluco, mas eu estou feliz nessa que embarquei."
*Pablo Kossa
é jornalista e produtor cultural. (pablokossa@bol.com.br)
Extraído da versão on line do jornal Diário da Manhã, DM, em 21/03/09
Link: http://www.dm.com.br/materias/show/t/para_quem_quer_ser_jornalista
Primeiramente, devo assumir sem o menor receio de dar um tiro errado que eu mandei bem ao escolher o Jornalismo. Me sinto muito confortável nessa profissão, mesmo com todas as reclamações quando pego meu contracheque. Então, qualquer coisa que eu diga sobre esse assunto irá naturalmente passar por esse crivo personalíssimo de minha satisfação e alegria com o que faço. Qualquer exagero, por favor, dê um desconto!
Minha formação intelectual durante a adolescência se deu com o punk rock. E também com o grunge, mesmo esse sendo nada mais que o bom e velho punk, com um pedal de distorção a mais na guitarra e um disco do Black Sabbath na cabeceira. Então o do it yourself é uma coisa bastante cara para mim. Acredito mesmo nessa premissa. E o Jornalismo é uma coisa muito faça você mesmo. Não boto fé alguma em jornalista que não carregue para cima e para baixo algo para ler. Que seja uma revista, que seja o último best-seller mequetrefe, que seja um clássico irrefutável da literatura mundial. Jornalista tem que ler. Tem que ler. Ler. E ler. Se não for assim, pode até ser jornalista, mas sempre será do time dos medíocres. Isso é a coisa mais do it yourself que o jornalista pode fazer: ganhar mais e mais embasamento para ele próprio formular sua concepções de mundo, polemizar mais, discutir mais, argumentar mais.
Não acredito em jornalista que fica pendurado na barra da saia do poder. Já dizia Millôr (um mestre!), que Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados. Estou com ele e não abro. Não existe essa balela da imparcialidade, neutralidade e bobagens afins. Jornalista tem lado. Sempre. E eu acho que o melhor lado é o do contra. Realmente nadar contra a corrente. Não acreditar na primeira versão de um fato. Isso ainda me fascina. E não tem nada a ver com fazer assessoria para o poder. Dá para fazer um baita serviço digno sendo assessor comissionado de algum governante. Agora, quando se muda o partido do poder e não se muda o jornalista da assessoria, começo a ficar com a pulga atrás da orelha...
Por fim, acho que a vida em redações é de muito estresse e pesado trabalho, sendo que a grana recebida no final do mês não é compatível com a carga emocional que se suporta, finais de semana e feriados não aproveitados por conta do trabalho e tensões variadas. Contudo, ainda acho isso melhor do que outras possibilidades profissionais. Pode até ser coisa de maluco, mas eu estou feliz nessa que embarquei."
*Pablo Kossa
é jornalista e produtor cultural. (pablokossa@bol.com.br)
Extraído da versão on line do jornal Diário da Manhã, DM, em 21/03/09
Link: http://www.dm.com.br/materias/show/t/para_quem_quer_ser_jornalista
sexta-feira, 20 de março de 2009
Em ritmo de festa

Ele não é Garrincha, mas ultimamente está fazendo alegria do povo. Falo do jogador Ronaldo, camisa nove do Corinthians que voltou aos gramados depois de um ano parado e em três jogos marcou dois gols dando alegria aos corintianos.
A mídia está deslumbrada com seu desempenho, pode ser na esquina de um bar ou no jogo de qualquer outro campeonato, que a conversa é a volta do fenômeno ao futebol brasileiro, essa reviravolta vejo como solidariedade por parte dos jornalistas, mas também um pouco de exagero.
Os meios de comunicação não podem esquecer a imparcialidade, que seu papel é transmitir o jogo e não torcer como um fanático torcedor, esse sim pode gritar e delirar com seu time. O mais ridículo da imprensa foi mostrar Ronaldo no banco de reservas enquanto jogo no campo estava “comendo” solto. Vejo isso como disputa de audiência e está longe de ser um jornalismo de interesse social.
No jornalismo político e econômico a principal informação é a negativa que leva ao leitor optar por mudanças. Já no esportivo os editores preferem a euforia, os mesmos não se contagiam com casos de corrupções entre cartolas e o calendário do futebol brasileiro sendo uma bagunça.
Tiago Colchone
quarta-feira, 18 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Indicações de sites
Católica Digital
www.ucg.br
Jornal do Brasil digital
www.jb.com.br
Folha on-line
www.folhauol.com.br
Revista de Comunicação
www.revcom.com.br
O Jornalista
www.ojornalista.com.br
Revista Caros Amigos
www.carosamigos.terra.com.br
Revista Imprensa
www.portalimprensa.com.br
Observatório da Imprensa
www.observatorio.ultimosegundo.ig.com.br
Revista Carta Capital
www.cartacapital.com.br
Agência de notícias Carta Maior
www.agenciacartamaior.uol.com.br
Blog de Ricardo Noblat
http://oglobo.globo.com/pais/noblat
Luiz Carlos Azenha
www.viomundo.com
Ciberjornalismo
www.unb.br/fac/sos/site/index.php
Jornalismo em Blog
http://webjornal.blogspot.com
Executiva Nacional dos Estudantes de Jornalismo
http://www.enecos.org.br
Jornais do mundo todo
www.indekx.com
Capas de jornais no Brasil e no Mundo
www.newseum.org/todaysfrontpages
Designer em jornalismo
www.newspagedesigner.com/
Comunique-se
www.comunique-se.com.br
Deu no Jornal
www.deunojornal.org.br
Federação Nacional dos Jornalistas
www.fenaj.org.br
Blog Ética
http://eticaciencia.blogspot.com/
Jornalismo Científico
www.jornalismocientifico.com.br
Jornalismo On-line
http://gelson-filho.sites.uol.com.br
Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
www.abraji.org.br
Radiojornalismo
www.radiojornalismo.com.br
Jornalismo ambiental
www.jornalismoambiental.org.br
Guia de Jornalismo na Internet
www.facom.ufba.br/pesq/cyber/manta/Guia
Jornalismo científico
www.comciencia.br
Jornalismo cultural
www.jornalismocultural.com.br
www.ucg.br
Jornal do Brasil digital
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Folha on-line
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Revista de Comunicação
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O Jornalista
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Jornalismo científico
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Jornalismo cultural
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Circojornalismo

Vez ou outra me pego pensando em qual é o papel que certos jornalistas pensam que estão fazendo. Alguns telejornais do início da tarde exercem a função de divertir o telespectador ao invés de informar quem chega em casa no horário de almoço.
Em certa emissora, durante o telejornal vespertino, dois apresentadores comentam a notícia exibida como se estivessem no sofá da casa deles, tomando um chá e falando dos acontecimentos do dia-a-dia em tom humorístico. Telejornal neste horário tem um tipo de público peculiar que prefere notícias de teor “leve”. Mas é repugnante assistir uma matéria e em seguida ver dois apresentadores “palpitando” entre si.
Sem falar da exibição de fato trágico onde os profissionais (se assim podem ser chamados), são focalizados com expressão melancólica no rosto, para demonstrar o quão triste é noticiar tal acontecimento e, logo depois apresentam um fato corriqueiro e estampam aquele sorriso contente tão facilmente.
Qual é nosso objetivo ao ligar a TV e assistir um telejornal? Será que se as notícias forem mostradas com mais seriedade e menos gracinhas, o almoço ingerido nos trará indigestão? É mais provável aqueles sorrisinhos e piadinhas inconvenientes nos acarretar náuseas.
Priscilla Rodrigues.
Nota: imagem do programa "Vida ao Vivo Show", extinto quadro do programa Fantástico, da Rede Globo.
Indicações de programa televisivo
Emissora "TV Brasil", programa Conexão, com Roberto D'Avila, às 20horas (Net canal 21).
Emissora "TV SENAC", domingo, às 20horas (Canal aberto 5, Net 30 ou 32).
Emissora "TV SENAC", domingo, às 20horas (Canal aberto 5, Net 30 ou 32).
Contato eletrônico (de professor e monitor)
Telejornalismo I:
Professor Enzo: enzodelisita@uol.com.br
Monitor Moacir: cunhaneto@folha.com.br
Produção e Redação Jornalística I:
Professora Ângela: atmoraes@uol.com.br
Monitor Luís Eduardo:ledjornalismo@gmail.com
Professor Enzo: enzodelisita@uol.com.br
Monitor Moacir: cunhaneto@folha.com.br
Produção e Redação Jornalística I:
Professora Ângela: atmoraes@uol.com.br
Monitor Luís Eduardo:ledjornalismo@gmail.com
Indicações bibliográficas, grade do 2º Período
Telejornalismo I:
Sobre a Televisão, Pierre Bourdieu;
Manual do Telejornalismo, Hérodoto Barbeiro e Paulo Rodolfo;
A Notícia na TV, Olga Curado;
Telejornalismo no Brasil, Guilherme Jorge;
Antimanual de Jornalismo, Antônio Cláudio Brasil.
Língua Portuguesa II:
Leitura em Palavras, Lúcrecia Ferrera, Série Princípios, Ed. Ática;
Curso de Redação,H. A. André;
Marxismo e Filosofia da Linguagem, Mikhail Bakhtin;
O que é Semiótica, Lúcia Santaella.
Produção e Redação Jornalística I:
Linguagem Jornalística, Nilson Lage;
Técnicas de Codificação em Jornalismo, Mário Erbolato;
A Entrevista Jornalística, Hugh Sherwood;
A Arte de Escrever, Dad Squarisi;
Teoria do Jornalismo, Felipe Pena;
E demais manuais de redação e estilo dos jornais Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo.
Teoria Econômica:
O Tempo e o Vento, Érico Véríssimo;
A Ferrovia do Diabo, Manoel Rodrigues Ferreira.
Sobre a Televisão, Pierre Bourdieu;
Manual do Telejornalismo, Hérodoto Barbeiro e Paulo Rodolfo;
A Notícia na TV, Olga Curado;
Telejornalismo no Brasil, Guilherme Jorge;
Antimanual de Jornalismo, Antônio Cláudio Brasil.
Língua Portuguesa II:
Leitura em Palavras, Lúcrecia Ferrera, Série Princípios, Ed. Ática;
Curso de Redação,H. A. André;
Marxismo e Filosofia da Linguagem, Mikhail Bakhtin;
O que é Semiótica, Lúcia Santaella.
Produção e Redação Jornalística I:
Linguagem Jornalística, Nilson Lage;
Técnicas de Codificação em Jornalismo, Mário Erbolato;
A Entrevista Jornalística, Hugh Sherwood;
A Arte de Escrever, Dad Squarisi;
Teoria do Jornalismo, Felipe Pena;
E demais manuais de redação e estilo dos jornais Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo.
Teoria Econômica:
O Tempo e o Vento, Érico Véríssimo;
A Ferrovia do Diabo, Manoel Rodrigues Ferreira.
terça-feira, 10 de março de 2009
Desonestidade Humana

Friedrich Nietzsche, importante filósofo do século XIX, escreveu o que está transcrito abaixo sobre mídia, imprensa e manipulação. Impressiona (e assusta) o quanto seus escritos são aplicáveis à sociedade contemporânea. Deve ser porque não houveram mudanças consideráveis. E isso não me surpreende, pois é algo que tornou-se tipicamente humano. Apenas leia, reflita e aprenda.
447. Utilização da pequena desonestidade. – O poder da imprensa consiste em que todo indivíduo que para ela trabalha sente-se muito pouco comprometido e vinculado. Em geral ele diz sua opinião, mas ocasionalmente não a diz, para ser útil ao seu partido, à política de seu país ou a si mesmo. Esses pequenos delitos da desonestidade, ou apenas da reticência desonesta, não são difíceis de suportar para o indivíduo, mas as suas consequências são extraordinárias, porque tais pequenos delitos são cometidos por muitos ao mesmo tempo. Cada um deles diz para si: “Com serviços tão diminutos vivo melhor, posso ganhar a vida; se recuso essas pequenas considerações, eu me torno impossível”. Como moralmente parece não importar escrever ou deixar de escrever uma linha a mais – talvez sem assinar, além disso -, alguém que possua dinheiro e influência pode transformar qualquer opinião em opinião pública. Quem sabe que a maioria das pessoas é fraca nas pequenas coisas, e deseja alcançar seus objetivos através delas, é sempre um indivíduo perigoso.
Crédito: postado no blog do acadêmico Adriano Frausino. Endereço virtual: http://adfrausino.blogspot.com/2009/02/desonestidade-humana.html
Casas de striptease têm público de 500 pessoas
Em Goiânia, por semana, mais de 500 pessoas freqüentam casas de espetáculo erótico que oferecem como atração principal show de striptease. De segunda-feira a segunda-feira mulheres acima dos 18 anos, de todas as raças e perfis, usam o corpo como instrumento de trabalho. Em algumas boates, diariamente há mais de 30 dançarinas. São apresentados em média dois stipteases por hora, com duração de dez minutos cada.
De acordo com os proprietários dessas casas, dia e noite, em diversos ambientes e ao som de estilos musicais variados, cada pessoa gasta no mínimo R$ 50,00 para visitar o local. As garotas dançam e ficam nuas durante o show. Elas circulam pelas dependências da casa vestindo trajes diferentes e, a qualquer momento, trocam carícias e beijos explícitos.
As dançarinas regionais recebem R$ 50,00 por show, já o cachê das stripers mais famosas gira em torno de R$ 500,00. São mulheres casadas, solteiras, com ou sem filhos, de escolaridade mínima ou superior, de beleza natural ou artificial. Elas recebem alimentação transporte, hospedagem e remédios básico. A dançarina goiana Aline, 22 anos, declara: “Para quem sabe trabalhar o salário é suficiente”. Também afirma que os programas são realizados fora do estabelecimento, e que a família desconhece sua verdadeira profissão.
Os clientes, na maioria, pertencem à classe média alta. São homens entre 20 e 50 anos, casados, universitários, empresários, artistas, militares e políticos “que depois falam mal da prostituição”, revela a garota de programa Adriana, de 22 anos. Alguns presenteiam as prostitutas, enquanto outros oferecem dinheiro extra para elas consumirem drogas. Em relação à escolha por stripers a gerente de uma das boates cita que “eles preferem as loiras”.
A dançarina Aline comenta “a gente é quase psicóloga”, pois há clientes que desejam apenas falar sobre o dia estressante que tiveram. Porém, acontece também o inverso: elas desabafam. O empresário Luiz Alves, de 41 anos, freqüenta casas noturnas para se distrair e conversar com as garotas. Ele explica: “Com elas tem liberdade” para dialogar, e que “muitas nos ouvem, outras choram e desabafam”.
Brunna Santos
Observação: matéria produzida em 2008, sob a orientação da professora Eliane Covem, disciplina de Introdução às Técnicas de Produção Joranlística.
De acordo com os proprietários dessas casas, dia e noite, em diversos ambientes e ao som de estilos musicais variados, cada pessoa gasta no mínimo R$ 50,00 para visitar o local. As garotas dançam e ficam nuas durante o show. Elas circulam pelas dependências da casa vestindo trajes diferentes e, a qualquer momento, trocam carícias e beijos explícitos.
As dançarinas regionais recebem R$ 50,00 por show, já o cachê das stripers mais famosas gira em torno de R$ 500,00. São mulheres casadas, solteiras, com ou sem filhos, de escolaridade mínima ou superior, de beleza natural ou artificial. Elas recebem alimentação transporte, hospedagem e remédios básico. A dançarina goiana Aline, 22 anos, declara: “Para quem sabe trabalhar o salário é suficiente”. Também afirma que os programas são realizados fora do estabelecimento, e que a família desconhece sua verdadeira profissão.
Os clientes, na maioria, pertencem à classe média alta. São homens entre 20 e 50 anos, casados, universitários, empresários, artistas, militares e políticos “que depois falam mal da prostituição”, revela a garota de programa Adriana, de 22 anos. Alguns presenteiam as prostitutas, enquanto outros oferecem dinheiro extra para elas consumirem drogas. Em relação à escolha por stripers a gerente de uma das boates cita que “eles preferem as loiras”.
A dançarina Aline comenta “a gente é quase psicóloga”, pois há clientes que desejam apenas falar sobre o dia estressante que tiveram. Porém, acontece também o inverso: elas desabafam. O empresário Luiz Alves, de 41 anos, freqüenta casas noturnas para se distrair e conversar com as garotas. Ele explica: “Com elas tem liberdade” para dialogar, e que “muitas nos ouvem, outras choram e desabafam”.
Brunna Santos
Observação: matéria produzida em 2008, sob a orientação da professora Eliane Covem, disciplina de Introdução às Técnicas de Produção Joranlística.
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