sábado, 22 de agosto de 2009

PERRO LOCO 3!!!



Por Juliana Albuquerque

P3rro Loco - Festival de Cinema Universitário Latino-Americano
“As alegorias e o caminho tortuoso da América Latina”
De 25 a 30 de agosto




Cinema é a palavra de ordem dessa semana no Campus II da Universidade Federal de Goiás. Começa no dia 25 de agosto a terceira edição do Festival Perro Loco, uma viagem cinematográfica e cultural por toda América Latina. O filme “Memórias do Subdesenvolvimento”, dirigido por Tómas Gutiérrez Alea (Cuba, Documentário, 97 min, 1968) será o primeiro a ser exibido, às 15 horas, no CINE UFG.

Esse ano o festival tem como tema “Alegorias”, que se associa as temáticas anteriores, “Identidade Cultural” (2007) e “Fronteiras” (2008). É por meio das mostras, oficinas, minicursos, palestras, debates entre outras formas de expressão cultural que a estética alegórica será objeto de observação e discussão.

É importante ressaltar que o festival trata-se de uma iniciativa de estudantes da Universidade Federal de Goiás. Que usam o cinema como ferramenta de transformação, intercâmbio cultural e acima de tudo uma vitrine libertária para a produção universitária da América Latina.

O chamado é um só:
“Como já é tradição, o Perro Loco convoca todos os amantes de cinema que querem gritar o amor pela América Latina, e que precisam, de alguma forma, mostrar o quanto nosso continente é grandioso. A tela do cinema é a janela do mundo e também queremos ver a América Latina em cartaz. Participe conosco dessa sessão mágica”.

Confira a programação completa do Perro Loco 3, no site:
www.perroloco.com.br

Obs.: O site do festival irá trazer uma cobertura completa e instantânea de toda a programação. Com entrevistas, fotos e muito mais. Acompanhe.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Movimento em Defesa dos Jornalistas Sem Diploma (MDJSD)

Movimento que defende fim do diploma cria Associação Brasileira dos Jornalistas

Posted: 30 Jul 2009 03:00 AM PDT

Comunique-se

O Movimento em Defesa dos Jornalistas Sem Diploma (MDJSD), criado em 2005, fundou no último domingo (26/07), em Brasília, a Associação Brasileira dos Jornalistas (ABJ), que pretende filiar jornalistas diplomados ou sem formação superior na área. A ABJ é presidida por Antônio Vieira, formado em administração de empresas, com especialização em matemática financeira, mas que trabalha como jornalista há 20 anos.

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“Já tínhamos articulações pelo fim do diploma e com a decisão do STF decidimos institucionalizar a criação da ABJ, que será aberta a formados e não formados em jornalismo, porque sempre fomos discriminados pela Fenaj”, explica Vieira.

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A associação terá representatividade em todo o território nacional, com 43 membros eleitos na Assembléia do último final de semana, além de Vieira na presidência da entidade.

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Treinamento de profissionais de outras áreas
De acordo com o presidente da associação, o objetivo é a liberdade de expressão e a capacitação de profissionais de outras áreas interessados em jornalismo. “Uma das nossas ideias é criar um processo de treinamento e formação para pessoas de outras áreas de formação, com técnicas jornalísticas. A BBC de Londres faz isso, pensamos até em contatá-la para ver se é possível uma cooperação”, afirma.

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Alex Bezerra, um dos vice-presidentes eleitos, faz uma forte crítica as faculdades de jornalismo, que na sua opinião limitavam a liberdade de expressão. “Agora os jornalistas terão amplo apoio na luta pela liberdade de imprensa e outros direitos dos quais estavam sendo negados pelo cartel das faculdades de esquina que lutaram com seus lobbys para que o diploma fosse obrigatório”, declara.

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Além da formação da presidência da associação, a Assembléia aprovou sócios beneméritos e 300 associados, entre diplomados e não diplomados. Os interessados em informações sobre a nova associação devem enviar um e-mail para abj.net@gmail.com.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

DIPLOMA DE JORNALISMO

Publicado no site do Observatório da Imprensa
A decisão do STF e a "des"regulamentação da profissão

Por Luiz Gustavo Rabelo em 21/7/2009


Declarações do presidente do Supremo e manifestações diversas após a decisão que afastou a obrigatoriedade do diploma para exercício do jornalismo têm gerado grande confusão sobre o futuro profissional. A principal delas está relacionada à regulamentação da atividade de jornalista. Afinal, ao fulminar a necessidade do diploma, o STF desregulamentou por completo a profissão?

Uma leitura minuciosa do voto condutor do julgamento e do extrato da decisão da Corte leva à conclusão de que não. A profissão ainda se sustenta por um marco legal que está em pleno vigor. Como sabemos, ao declarar a inconstitucionalidade da integralidade de uma lei ou de apenas um único dispositivo, o STF os afasta do ordenamento jurídico. Isso significa que a norma declarada inconstitucional não pode ser aplicada ou invocada pelo Judiciário ou pela Administração Pública para negar ou conceder direitos a quem quer que seja.

No julgamento que derrubou a obrigatoriedade do diploma, o Supremo deixou explícito que a decisão restringia-se ao afastamento de parte do decreto regulamentador da profissão, e não à sua integralidade. Eis o trecho da decisão que mostra, claramente, esse entendimento: "O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do relator, ministro Gilmar Mendes (presidente), conheceu e deu provimento aos recursos extraordinários, declarando a não-recepção do artigo 4º, inciso V, do Decreto-lei nº 972/1969, vencido o senhor ministro Marco Aurélio."

Princípio da primazia da realidade

Do ponto de vista jurídico, a decisão do STF foi coerente com o pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) no recurso endereçado ao Tribunal. As duas entidades não requereram a declaração de inconstitucionalidade de todo o decreto, mas somente o afastamento da norma que exigia o diploma como condição para o exercício profissional. Diante desses fatos, os ministros não poderiam mesmo, sob pena de decidir além do pedido formulado pelas partes – o que é vedado em nosso sistema processual –, afastar toda a norma regulamentadora.

Diante desse entendimento, quais são as conseqüências da decisão do Supremo em relação à regulamentação profissional? Com exceção da desnecessidade do diploma para exercício do jornalismo, as demais prerrogativas legais da profissão continuam de pé. Isso significa, por exemplo, que os empresários da comunicação terão que continuar a observar a carga horária de cinco horas diárias e a pagar as horas extras contratuais pactuadas com seus contratados. Também terão que cumprir as demais regras fixadas em acordos e convenções coletivas trabalhistas.

Assim, o jornalista – diplomado ou não – que exercer as atividades típicas da profissão, previstas no artigo 2º do Decreto-Lei 972/69, terá cobertura jurídica para, por exemplo, acionar a Justiça do Trabalho afim de reclamar direitos eventualmente violados decorrentes do exercício do jornalismo.

A esse propósito, vale lembrar que, nesse ramo da Justiça, prevalece o chamado princípio da primazia da realidade. O que vem a ser isso? Para os juízes do trabalho, pouco importa, na análise das reclamações ajuizadas, o nome que as empresas dão aos cargos ou mesmo o que está previsto em documentos formais. Nas relações trabalhistas têm mais valor os fatos reais, aquilo que efetivamente acontece na prática do dia-a-dia profissional.

Dispositivo produz a "coisa julgada"

Esse princípio, associado a outros não menos importantes, como o da interpretação mais favorável ao trabalhador, nos levam a crer que, ainda que alguns empresários esperneiem, a Justiça do Trabalho continuará a conceder indenizações a jornalistas que tiverem direitos laborais desrespeitados. A diferença é que, de agora em diante, não somente os diplomados poderão reclamá-los, mas todos aqueles que vierem a exercer, na prática, atividades típicas da profissão.

A confusão informativa gerada pela decisão do Supremo em relação aostatus atual da regulamentação profissional deve-se, em grande parte, às declarações recentes feitas pelo presidente do Tribunal a diversos veículos de comunicação. Em algumas delas, o ministro deu a entender que todo Decreto-Lei 972/69 seria inconstitucional. Pelo menos essa foi a interpretação feita por boa parte daqueles que acompanharam as entrevistas concedidas por ele.

Esse até pode ser o entendimento do presidente, mas, certamente, não foi o que decidiu o STF e não é o que pensam os demais ministros que participaram do julgamento. Para se certificar disso, basta ler os votos apresentados por eles, já disponíveis para consulta no site no Tribunal na internet.

Como se sabe, a parte das decisões judiciais que obriga as pessoas a cumpri-las é o chamado dispositivo. É ali que está a conclusão do que foi decidido, o trecho onde o juiz ou tribunal aplicam a lei ao caso concreto, acolhendo ou rejeitando o pedido formulado pelas partes no processo. O dispositivo também é a parte da decisão que a torna definitiva, imutável e indiscutível, produzindo a chamada "coisa julgada".

A linha interpretativa

Essa maneira de compreender os efeitos práticos das decisões judiciais tem, no entanto, sido superada por teorias modernas de interpretação constitucional. Algumas dessas teorias admitem que outros trechos das decisões também têm a força de obrigar as partes. É o caso da teoria denominada "transcendência dos motivos determinantes".

Essa doutrina de nome esquisito, que tem no ministro Gilmar Mendes um de seus principais defensores no Brasil, postula que os fundamentos utilizados nas decisões judiciais, e não somente a sua parte dispositiva, também vinculam as partes. Esses fundamentos seriam apenas aqueles cruciais para a resolução do processo, as razões que levaram o juiz ou o tribunal a decidir dessa ou daquela forma. Assim, coisas ditas de passagem e os comentários feitos nos relatórios e votos apresentados pelos magistrados nos julgamentos não teriam força vinculante.

Essa compreensão tem ganhado terreno no STF. Na Corte, há várias decisões que adotaram esse posicionamento nos últimos anos. Essa teoria também esclarece uma dúvida comum dos que acompanham os desdobramentos da cassação do diploma: a decisão do Supremo vale apenas para as partes do processo julgado ou é extensível a todos no país?

A resposta a esse questionamento deveria ser simples, mas não é. Como grande parte das coisas em Direito, dependerá da linha interpretativa escolhida. Se for a clássica, pode-se dizer que a decisão do STF relativa ao diploma vale apenas para as partes envolvidas no processo porque, na verdade, o que o Tribunal julgou foi um Recurso Extraordinário, e não uma ADIN.

Em desarmonia com a Constituição

Ou seja, nesse julgamento, o controle de constitucionalidade feito pela Corte se deu pela chamada via difusa, num caso concreto, e não de maneira direta, por meio de uma ação que ataca frontalmente um dispositivo inconstitucional. Por outro lado, se a opção for pela linha da "transcendência dos motivos", é possível afirmar que a decisão no recurso extrapolará o processo e o estrito interesse das partes, podendo ser aplicadaerga omnes (contra todos) em outros casos semelhantes.

O fato é que, atualmente, não há nenhuma lei em vigor no país que confira caráter vinculante às decisões do STF proferidas pela via difusa no julgamento de recursos extraordinários. No entanto, o histórico das decisões recentes do Tribunal sobre outras matérias indica que ali continuará a prevalecer o entendimento de que os efeitos da decisão que acabou com a obrigatoriedade do diploma serão estendidos a outros processos.

De qualquer forma, ainda que se admita que a decisão produzida pelo STF é composta pelo somatório do dispositivo e dos fundamentos centrais dos votos dos ministros, não há ali qualquer menção explícita ao fim total da regulamentação da profissão de jornalista. O que se vê, sobretudo no voto do ministro Gilmar Mendes, são menções ao fato de que a lei regulamentadora é fruto dos anos de chumbo e que partes dela estariam em desarmonia com o espírito da Constituição atual.

Vazios normativos em conflitos

Embora parte disso seja verdade, os comentários feitos pelo ministro, por si só, não têm a força de fazer desaparecer por completo do ordenamento jurídico o decreto regulamentador da profissão de jornalista. Ao que parece, principalmente em razão de declarações de Mendes sobre a opção que as empresas têm agora de exigir ou não o diploma dos futuros profissionais contratados, não foi intenção do Supremo criar uma situação de total desregulamentação. Ou foi?

A decisão do Tribunal gerou uma série de protestos por todo o país e insinuações de que haveria intenção de beneficiar os donos de empresas de comunicação em detrimento dos jornalistas. Se a decisão do STF estiver de acordo com o raciocínio exposto neste artigo, de que ainda estão valendo as regras da legislação regulamentar, essas críticas talvez sejam amenizadas ao longo do tempo. Se, ao contrário, a compreensão for a de que caiu por completo a regulamentação, daí haverá munição suficiente a ser disparada a favor da tese de que a Suprema Corte pretendeu mesmo favorecer os barões da mídia.

Somente daqui a um bom tempo será possível ter clareza sobre de que maneira o Judiciário como um todo interpretará a decisão do STF. As decisões nas instâncias ordinárias, sobretudo na área trabalhista, darão o tom de como os juízes aplicarão a legislação de regência nos processos que envolverem aspectos ligados ao exercício do jornalismo.

Por fim, cabem aqui algumas perguntas: a quem interessa uma situação de completa ausência de regulamentação profissional? De que modo questões como jornada de trabalho e outras prerrogativas dos jornalistas, algumas conquistas históricas da categoria, conflitam com a livre manifestação do pensamento o com o livre exercício profissional?

Como guardião da Constituição Federal, o Supremo, mais do que qualquer outro tribunal do país, precisa refletir sobre as conseqüências sociais das decisões que toma. Entre outros aspectos, a existência de vazios normativos em situações conflituosas como as presentes nas relações trabalhistas de determinadas categorias profissionais geram sérios problemas de ordem prática, sob o ponto de vista da defesa de direitos, para quem integra os litígios e para os profissionais que lidam, rotineiramente, com questões jurídicas, como juízes, promotores e advogados.

sábado, 18 de julho de 2009

A magia do jornalismo

Enviado por Rádio do Moreno - 13.7.2009 | 9h16m
OPINIÃO

A magia do jornalismo
CARLOS ALBERTO DI FRANCO

Gay Talese, um dos fundadores do New Journalism (novo jornalismo), uma maneira de descrever a realidade com o cuidado e o talento de quem escreve um romance, foi a grande estrela da Festa Literária Internacional de Paraty. Sua crítica da mídia pode parecer radical e ultrapassada. Mas não é. Na verdade, Talese é um enamorado do jornalismo de qualidade. E a boa informação, independentemente da plataforma, reclama talento, rigor e paixão.

Segundo Talese, a crise do jornalismo está intimamente relacionada com o declínio da reportagem clássica. "Acho que o jornalismo e não o 'Times', está sendo ameaçado pela internet", disse Talese à revista "Época". "E o principal motivo é que a internet faz o trabalho de um jornalista parecer fácil. Quando você liga o laptop em sua cozinha, ou em qualquer lugar, tem a sensação de que está conectado com o mundo. Em Pequim, Barcelona ou Nova York...Todos estão olhando para uma tela de alguns centímetros. Pensam que são jornalistas, mas estão ali sentados, e não na rua. O mundo deles está dentro de uma sala, a cabeça está numa pequena tela, e esse é o seu universo. Quando querem saber algo, perguntam ao Google. Estão comprometidos apenas com as perguntas que fazem. Não se chocam acidentalmente com nada que estimule a pensar ou a imaginar. Às vezes em nossa profissão, você não precisa fazer perguntas. Basta ir às ruas e olhar as pessoas. É aí que você descobre a vida como ela realmente é vivida."

A crítica de Talese, algo precipitada e injusta com o jornalismo digital, é um diagnóstico certeiro da crise do jornalismo impresso. Os jornais perdem leitores em todo o mundo. Multiplicam-se as tentativas de interpretação do fenômeno. Seminários, encontros e relatórios, no exterior e aqui, procuram, incessantemente, bodes expiatórios. Televisão e internet são, de longe, os principais vilões. Será? É evidente que a juventude de hoje lê muito menos. No entanto, como explicar o estrondoso sucesso editorial do épico "O Senhor dos Anéis" e das aventuras de Harry Potter? Os jovens não consomem jornais, mas não se privam da leitura de obras alentadas. O recado é muito claro: a juventude não se entusiasma com o produto que estamos oferecendo. O problema, portanto, está em nós, na nossa incapacidade de dialogar com o jovem real. Mas não é só a juventude que foge dos jornais. A chamada elite, classes A e B, também tem aumentado a fileira dos desencantados. Será inviável conquistar toda essa gente para o mágico mundo da cultura impressa? Creio que não. O que falta, estou certo, é realismo e qualidade.

A receita de Talese demanda forte qualificação profissional. "A minha concepção de jornalismo sempre foi a mesma. É descobrir as histórias que valem a pena ser contadas. O que é fora dos padrões e, portanto, desconhecido. E apresentar essa história de uma forma que nenhum blogueiro faz. A notícia tem de ser escrita como ficção, algo para ser lido com prazer. Jornalistas têm de escrever tão bem quanto romancistas." Eis um magnífico roteiro e um formidável desafio para a conquista de novos leitores: garra, elegância, rigor, relevância.

A revalorização da reportagem e o revigoramento do jornalismo analítico devem estar entre as prioridades estratégicas. É preciso seduzir o leitor com matérias que rompam com a monotonia do jornalismo declaratório. Menos Brasil oficial e mais vida. Menos aspas e mais apuração. Menos frivolidade e mais consistência. Além disso, os leitores estão cansados do baixo-astral da imprensa brasileira. A ótica jornalística é, e deve ser, fiscalizadora. Mas é preciso reservar espaço para a boa notícia. Ela também existe. E vende jornal. O leitor que aplaude a denúncia verdadeira é o mesmo que se irrita com o catastrofismo que domina muitas de nossas pautas.

Perdemos a capacidade de sonhar e a coragem de investir em pautas criativas. É hora de proceder às oportunas retificações de rumo. Há espaço, e muito, para o jornalismo de qualidade. Basta cuidar do conteúdo. E redescobrir uma verdade constantemente reiterada pelo jornalista Ruy Mesquita: o bom jornalismo é "sempre artesanato."

Texto publicado no Globo de hoje.

DI FRANCO é diretor do Master em Jornalismo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Comissão do MEC quer desmembrar Jornalismo do departamento de Comunicação Social

"Redação Portal IMPRENSA

O curso de Jornalismo pode se desmembrar da área de Comunicação Social e se tornar uma graduação autônoma. A medida é pauta de sugestão do Ministério da Educação (MEC) ao Conselho Nacional de Educação. Caso o desmembramento seja aprovado, a graduação em Jornalismo se unirá a Cinema e Audiovisual, cursos que recentemente se desvincularam da área de Comunicação Social.

A discussão sobre o tema, iniciada em fevereiro deste ano, deve ter um parecer até um fim de 2009. De acordo com o chefe do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Somma, o desmembramento do curso se deve à posição do Ministério, que classificou o Jornalismo como uma das quatro posições fundamentais para a democracia do país, ao lado de Pedagocia, Direito e Medicina.

O professor acrescenta ainda que a discussão sobre o desmembramento do curso é anterior ao embate em torno da exigência do diploma. A informação é da Rádio CBN Curitiba."

quinta-feira, 9 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pós-graduação e cursos melhores em comunicação*

ESPAÇO ABERTO GLOBONEWS
* Escrito por Mírian Leitão

O fim da obrigatoriedade do diploma de comunicação para jornalistas vai obrigar universidades a oferecerem melhores cursos de graduação e incentivar o surgimento de pós-graduação para especialização em jornalismo de profissionais de outras áreas. As empresas de comunicação também devem se adaptar. O "Estado de S. Paulo" prepara mudanças para seu programa de estágio do ano que vem, que pode abrir vagas para outros cursos também, além da comunicação.

Há quem goste e quem não goste da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas agora resta discutir o futuro. Várias questões permanecem no ar. No Espaço Aberto da Globo News, os convidados Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, e Carlos Alberto Messeder, diretor do curso de Comunicação Social da ESPM-RJ, conversam sobre como fica a formação dos jornalistas agora que acabou a obrigatoriedade do diploma.

Pode parecer contraditório, mas Ricardo Gandour defendeu que o fim do diploma valoriza a formação do jornalista. Ele explica que uma série de faculdades mal preparadas vive da "emissão de papel", ou seja, do diploma de jornalista. Para Gandour, isso acontece porque existe uma reserva de mercado. "O nível das faculdades vai melhorar e vai surgir um ciclo de pós-graduação para profissionais de outras áreas se especializarem em jornalismo", disse.

Um estudo mostra que os grandes jornais americanos recrutam profissionais de área de formação, mas exigem do candidato pelo menos um estágio prévio dentro do jornalismo. É o caso do "New York Times", por exemplo. Os pequenos jornais não fazem esse tipo de exigência e são, por isso, o centro de formação dos jornalistas.

Alberto Messeder acrescenta que os cursos de comunicação devem ser revistos e os cursos de pós-graduação caminham para um molde semelhante ao das universidades americanas. Ele lembra que no Brasil muitas universidades ainda estão distantes do mercado. Ele acredita que as escolas podem evoluir para um modelo de maior interação com as empresas de comunicação, que ainda seriam alvo de "preconceito" dentro das universidades brasileiras.

Link do vídeo: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/default.asp

Pós-graduação e cursos melhores em comunicação*

ESPAÇO ABERTO GLOBONEWS
* Escrito por Mírian Leitão

O fim da obrigatoriedade do diploma de comunicação para jornalistas vai obrigar universidades a oferecerem melhores cursos de graduação e incentivar o surgimento de pós-graduação para especialização em jornalismo de profissionais de outras áreas. As empresas de comunicação também devem se adaptar. O "Estado de S. Paulo" prepara mudanças para seu programa de estágio do ano que vem, que pode abrir vagas para outros cursos também, além da comunicação.

Há quem goste e quem não goste da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas agora resta discutir o futuro. Várias questões permanecem no ar. No Espaço Aberto da Globo News, os convidados Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, e Carlos Alberto Messeder, diretor do curso de Comunicação Social da ESPM-RJ, conversam sobre como fica a formação dos jornalistas agora que acabou a obrigatoriedade do diploma.

Pode parecer contraditório, mas Ricardo Gandour defendeu que o fim do diploma valoriza a formação do jornalista. Ele explica que uma série de faculdades mal preparadas vive da "emissão de papel", ou seja, do diploma de jornalista. Para Gandour, isso acontece porque existe uma reserva de mercado. "O nível das faculdades vai melhorar e vai surgir um ciclo de pós-graduação para profissionais de outras áreas se especializarem em jornalismo", disse.

Um estudo mostra que os grandes jornais americanos recrutam profissionais de área de formação, mas exigem do candidato pelo menos um estágio prévio dentro do jornalismo. É o caso do "New York Times", por exemplo. Os pequenos jornais não fazem esse tipo de exigência e são, por isso, o centro de formação dos jornalistas.

Alberto Messeder acrescenta que os cursos de comunicação devem ser revistos e os cursos de pós-graduação caminham para um molde semelhante ao das universidades americanas. Ele lembra que no Brasil muitas universidades ainda estão distantes do mercado. Ele acredita que as escolas podem evoluir para um modelo de maior interação com as empresas de comunicação, que ainda seriam alvo de "preconceito" dentro das universidades brasileiras.

Link do vídeo: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/default.asp

terça-feira, 30 de junho de 2009

Uma breve explicação sobre o Dia dos Namorados


Como informação é sempre bom, resolvi postar um texto de autoria de Antônio Nakamura, líder religioso, sobre o Dia dos Namorados. A leitura é fácil e interessante. Segue:

"Bem, falemos um pouco sobre o dia de hoje, 12 de junho, Dia dos Namorados no Brasil.

O Dia dos Namorados é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais, sendo comum a troca de cartões e presentes com simbolismo de mesmo intuito. Em outras localidades celebra-se o Dia de São Valentim.

A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chegou depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.

O dia é hoje muito associado com a troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa. Estima-se que, mundo afora, aproximadamente um bilhão de cartões com mensagens românticas são mandados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Também se estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes no Brasil.

Durante o governo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que se os jovens não tivessem família, se alistariam com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimônias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens davam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que deram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Assíria filha do carcereiro a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram-se apaixonando e ela milagrosamente recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: "De seu Valentim", expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270.

No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de Junho por ser véspera do 13 de Junho, Dia de Santo António, santo português com tradição de casamenteiro, provavelmente devido suas pregações a respeito da importância da união familiar que era combatida pela heresia da época chamada Catarismo. O casamento - em queda na Idade Média - gerava filhos que a seita cátara condenava pois para esta o mundo era intrinsecamente mau pois, ao invés de ter sido criado por um Deus bom, teria sido criado por um Deus mau.

A data provavelmente surgiu no comércio paulista e depois foi assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito do Dia de São Valentim, equivalente nos países do hemisfério norte, para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados.

Está sem a sua “cara-metade”? Lembre-se então: não basta orar é preciso encontrar e conquistar! Boa sorte!"

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Senador junta 40 assinaturas para apresentar PEC que torna obrigatória exigência do diploma

Redação Portal IMPRENSA

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que na última terça-feira (23) protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição Federal (PEC) para tornar obrigatória a exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista, já conseguiu juntar 40 assinaturas de apoio.

Para poder apresentar o PEC, eram necessárias 27 assinaturas. Segundo a Agência Brasil, a proposta de Valadares torna obrigatório o diploma para exercer o Jornalismo, além de tornar facultativa a exigência do diploma para colaboradores.

"Com todo o respeito que tenho ao Supremo Tribunal Federal, foi uma decisão equivocada. O jornalista é um profissional cujo trabalho é reconhecido. É uma tradição a legitimidade. O Brasil não pode retroceder. Como um senador socialista, não poderia deixar de recolher as assinaturas e protocolar a PEC", declarou o senador.

Com o objetivo de aperfeiçoar o texto do PEC, Valadares ainda vai solicitar que o Senado realize audiências públicas na Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ), com representantes de associações e federações de jornalistas e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de estudantes e jornalistas.

No dia 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou, por oito votos a um, a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Diploma de jornalista: STF agiu pelo viés do neoliberalismo


Por Eron Bezerra*

A derrubada da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalista tem a cara do neoliberalismo. Quem disse que o Supremo Tribunal Federal é isento, livre de vícios e de preconceitos? Os ministros nada mais fizeram do que externar a forma como pensam, com todos os seus valores da pequena burguesia. Eles colocaram em prática a precarização das condições de trabalho.


Os donos da ''grande mídia'' também tiveram sua pontinha de contribuição. São eles que mandam quando o assunto é contratar sua mão-de-obra. Para eles, a formação pode até contar, mas não necessariamente precisa ter sido adquirida num banco de universidade. Deveria ser assim, mas não é. Muitos jornalistas e apresentadores tem seu talento ´nato´, sem formação acadêmica. Então, pra quê diploma?


Ninguém desconhece que por aí há muitos escritores talentosos, mas as técnicas de reportagem, a questão ética, filosófica e sociológica não é questão de talento e sim de formação. No Brasil, as pessoas ainda têm que se basear em leis.


Um motorista de ônibus não pode dirigir se não tiver Carteira Nacional de Habilitação com categoria ''D''. Ele pode guiar um veículo muito melhor que uma pessoa habilitada, mas se não tiver o documento, é proibido de fazê-lo. Um mestre de obras pode entender muito mais de engenharia do que um profissional formado e habilitado, porém só um engenheiro que passou pela academia está autorizado a responder pela obra.


O mesmo acontece com as parteiras. Elas são conhecidas por realizarem centenas de partos no interior do Amazonas, mas só quem está autorizado a acompanhar essas mulheres grávidas são as ginecologistas e obstetras.


A exigência de diploma tem a ver com a reserva de mercado e valorização da categoria. A falta do diploma vai acarretar redução dos salários, ausência de piso salarial, desorganização da categoria, afinal, como quer o STF, qualquer pessoa, a partir de agora, pode exercer a profissão de jornalista.

*Eron Bezerra, Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas, Membro do CC do PCdoB.

Diploma ainda vale para ficar em cela especial



Publicado em: 22/06/2009 12:39;
http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2009/06/22/imprensa447.shtml
Alberto Chammas
* Jornalista e professor Universitário.

"No Brasil tudo vale, mas cuidado. Existe liberdade de expressão, desde que ela seja para ocupar um espaço de um jornalista ou como queiram, agora tenho que usar o tal "diplomado".

Quantas vezes você já viu a Justiça brasileira tentar proibir alguém de se expressar?
Outro dia mesmo, até escrevi nesta coluna, o competente e jornalista NÃO diplomado, não jornalista, que apóia a não obrigatoriedade do diploma, teve um problema semelhante quando um promotor tentou, via justiça, impedi-lo de expressar suas idéias.

Afinal qual o problema?

Nenhum!

Aqueles senhores, retiro o Dr. Marco Aurélio deste saco, colocam profissões em pé de igualdade: o jornalista, o cozinheiro, o motorista entre outros. Nós não colocamos em risco nossa comunidade. Não sabe o Senhor Ministro que os jornalistas estão na liderança dos mortos em exercício profissional?

Não estou pedindo para incluímos defesa pessoal ou curso de tiro nas Universidades, mas fazer lembrar que esses mortos, em exercício de suas pautas estavam não colocando perigo aos seus irmãos de nação, mas em liberdade, não a expressão da palavra, mas a busca do direito do saber, da opinião, da verdadeira liberdade.

Não tenho nada contra cozinheiros, aliás, até pratos especiais eu já fiz na TV Gazeta, será que foi por esse motivo que o jornalista foi enquadrado por essa canetada do Ministro?

Eu não sou cozinheiro e exerci de forma - não correta - o exercício da profissão, mas tudo bem, se o Ministro alega que não exercemos perigo.

Acredito que quem pecou foi nossa classe. Em minha opinião, os Ministros, agiram de acordo com as forças, maiores forças de opinião pública deste país. Se não somos perigo qual o motivo de sermos chamados do 'quarto poder'?

Pode ser sim uma forma de desestabilizar a já fraca categoria profissional. Sem união, sem força. Alguém questiona isso?

Somos capazes de invadir o morro, dar a cara para pegar uma matéria sobre traficantes, vamos ao meio da batalha, enfrentamos a fúria de torcidas, chuva, trânsito, congressos nacionais, zonas de tiro e zonas. Quantas matérias já foram responsáveis pela mudança do cenário desta nação?

Mas, repito a culpa foi minha. Não tive a idéia de convidar esses engravatados para conhecerem nossos alunos. Qual Universidade convidou Ministros para conhecerem suas instituições? Quando é para dar palestras, aparecerem na foto e no site, como autoridade diante de alunos, aí sim, eles aparecem.

Sugiro ao Ministro que acabe também com o diploma de Letras. Afinal, no nosso país quantos professores não são formados? E podemos também, pelo menos eu conheço vários trabalhadores, meu avô, que trabalhava em cartório, era um, que conhecia o mundo do direito plenamente e não era formado. Vamos também extinguir o diploma de Advogado, faremos somente o Exame da OAB. Quem passa, vira doutor!

Pena que estudei!

Verdade. Estudei um pouquinho. Não me considero especial em conhecimento, mas estudei. Preciso e estou ainda na busca de mais conhecimento. Ainda estudo. Mas infelizmente perdi a oportunidade de poder mudar essa situação. Se eu não tivesse o ensino fundamental, poderia ser Presidente da República e assim, como os Ministros, em uma canetada, colocaria o meu DIPLOMA, novamente no lugar que ele nunca deveria deixar de sair: da parede!

Pelo menos, já aviso, se o Ministro se sentir ofendido e mandar me prender, eu tenho diploma, vou pelo menos, para a cela especial."

O festival de gregos e troianos chega ao fim na Cidade de Goiás


Durante seis dias a Cidade de Goiás serviu de palco para o XI FICA(Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental). No total foram 1340 minutos de cinema, divididos em 58 filmes na Mostra oficial, e 29 na VII Mostra ABD(Associação Brasileira de Documentaristas),da seção Goiás. A programação do festival não deixou a desejar, foram diversas atrações que movimentaram a cidade nesses dias. As novidades desse ano incluíram uma mostra de filmes infantis e a criação do I Fórum Internacional que trouxe mesas de debates e cursos ambientais. No sábado à noite a cerimônia de premiação distribuiu R$ 258 mil reais para os cineastas vencedores e para encerrar a noite um grande show com o cantor Martinho da Vila. Já na manhã de domingo a exibição dos filmes vencedores,e para fechar o XI FICA o timbre forte de Vanessa da Mata conquistou o público.

O grande prêmio do XI FICA, Troféu Cora Coralina foi conferido ao documentário Corumbiara, de Vincent Carelli(BR-PE), que investiga e narra as evidências do massacre sofrido por índios isolados, o cenário é a gleba Corumbiara, ao sul de Rondônia. E o Troféu José Petrillo pela primeira melhor produção goiana foi para Ressignificar, de Sara Vitória, um documentáio que mostra as preocupações com a questão do lixo tecnológico e a produção audiovisual. Na mostra competitiva paralela os principais prêmios foram para Adriana Rodrigues, com Benzeduras, e Alyne Fratari, com Descrição da ilha da saudade ou Baudelaire e os teus cabelos , cada uma levou , quatro dos 11 prêmios distribuídos na noite pela ABD-GO.

No total foram sete oficinas com temas que transpunham do cinema até o meio ambiente, um dos cursos mais procurados foi o de Cinema Moderno e Fotogenia com Ismail Xavier professor de cinema da USP. O Fórum Ambiental Globalização e as crises sem fronteiras: em busca de novos paradigmas sociais, econômicos e ambientais, também serviu de espaço para diferentes discussões. A polêmica ficou a cargo de Eustáquio Reis, doutor em Economia, que ao falar sobre o desenvolvimento econômico e a preservação da natureza declarou que o desmatamento produz benefícios. Foram diferentes mesas de cinema que também atrairam a atenção do público, além dos shows de músicos goianos no Palácio Conde dos Arcos durante toda a semana. Neste ano o Festival chegou ao fim agradando tanto a gregos como a troianos.

Juliana Albuquerque

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os equívocos do STF

Textos encontrados no site da FACOMB: http://www.facomb.ufg.br/?noticia=1245417149&site_id=73

Magno Medeiros

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal de extinguir a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão causou perplexidade. Sobretudo, pela falácia do argumento principal, exposto pelo ministro Gilmar Mendes, relator do Recurso Extraordinário (RE) 511961, em que se discutiu a constitucionalidade da exigência do diploma.

Segundo Mendes, o Decreto-Lei 972/1969, que determina a obrigatoriedade do diploma, não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 e as suas exigências ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento.

Ora, a nosso ver, não há nenhuma incompatibilidade entre a exigência do diploma de jornalista e a liberdade de imprensa. Ao contrário, os jornalistas sempre foram os que mais defenderam a liberdade de imprensa. Para esses profissionais, limitar as liberdades individuais e sociais significa impor a censura, que é refratária, por essência, à prática do jornalismo.

Por outro lado, a exigência do diploma em nada limita a livre manifestação do pensamento e a liberdade de expressão, direitos fundamentais da civilização, reiterados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Isso porque não há nenhum impedimento – nem legal e nem normativo – para quem quer que seja em escrever em jornais e revistas. Para isso, existem espaços apropriados para artigos, entrevistas e seções editoriais. Além do mais, a legislação autoriza a concessão de espaço para atuação de colaboradores, inclusive para aqueles com conhecimentos específicos em determinada área, de modo a garantir a liberdade de expressão, a pluralidade de ideias e o aprofundamento em temas especializados. Por fim, permite-se também, legalmente, a figura dos provisionados, autorizados a exercer o jornalismo onde não houver jornalista profissional formado nem faculdade de Comunicação. Portanto, a tese de restrição à liberdade de imprensa e de livre manifestação do pensamento é profundamente equivocada.

No debate travado na Suprema Corte, devemos prestar atenção na voz dissonante do ministro Marco Aurélio, para quem não há, efetivamente, nenhuma inconstitucionalidade em se exigir o diploma de jornalista para o exercício profissional, uma vez que a exigência de formação superior específica não implica cerceamento da liberdade de expressão. Além do mais, é preciso considerar que a extinção dessa exigência acarretará o aviltamento da profissão e a precarização das condições de trabalho nos meios de comunicação. Tem razão o ministro ao reconhecer que a obrigatoriedade do diploma está em vigor há 40 anos e que, nesse período, a sociedade se organizou para dar cumprimento à norma, com a criação de faculdades de jornalismo. “E agora chegamos à conclusão de que passaremos a ter jornalistas de gradações diversas. Jornalistas com diploma de curso superior e jornalistas que terão, de regra, o nível médio e quem sabe até o nível apenas fundamental.”

Recurso Extraordinário, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e pelo Ministério Público Federal de São Paulo, deve ser questionado a partir de sua motivação original: a quem interessa o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista? A resposta é óbvia: interessa a alguns setores empresariais, que não estão preocupados com questões referentes à liberdade de expressão, mas com o amparo legal para contratar profissionais de quaisquer níveis, inclusive de ensino médio e fundamental.

Alguns setores querem desregulamentar a profissão e, para isso, recorrem a argumentos ideológicos, confundindo direito de expressão com exercício legal da profissão. Ora, direito de expressão consiste em uma condição inalienável da cidadania.

Entretanto, é preciso deixar claro que o exercício do jornalismo deve seguir princípios éticos e procedimentos técnicos imprescindíveis à prática profissional, de modo a se garantir, efetivamente, a qualidade da informação noticiosa. O jornalista profissional, assim, é o mediador do processo de comunicação, no qual ele apura os fatos e suas variadas versões, seleciona as fontes com isenção e pluralidade, relata as notícias com responsabilidade social, desenvolve técnicas de edição e editoração, pondera e articula redes de conflitos e interesses diversos, sempre – como deve ser – à luz da ética, da transparência e do interesse público. Trata-se, sim, de se defender a qualidade da informação, tão almejada pela sociedade.

Magno Medeiros, doutor pela USP, é jornalista e professor da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG

Abaixo, confira texto da professora Flora Ribeiro, do curso de Jornalismo da Facomb/UFG, questionando a deliberação da Suprema Corte.

O STF e o diploma de jornalista
A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a não obrigatoriedade da exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão no Brasil é algo que, para além do impacto institucional do curso de jornalismo na Facomb e do ferimento das suscetibilidades e vaidades, nos conduz à reflexão sobre a apreensão equivocada e superficial que a Suprema Corte tem em relação ao que é jornalismo. A discussão, infelizmente, não encontrou ambiente para o necessário pensamento sobre qual é a importância social do jornalismo. A Academia lamenta profundamente que o debate não tenha conseguido sensibilizar as autoridades jurídicas sobre o caráter humanístico do jornalismo e o reflexo da profissão na condução de uma sociedade mais esclarecida. Trata-se de uma profissão que está diretamente ligada aos interesses sociais a partir do momento que reporta a realidade em que a sociedade está inserida e as implicações dessa realidade nas vivências. Assim, mesmo no limite da discussão pragmática da prática jornalística, deveria estar posta a preocupação sobre a consequência do que é notícia. Embora haja um reconhecimento do sucateamento do ensino e uma qualidade que deixa a desejar dos cursos superiores de jornalismo, a formação em jornalismo é inegável para o exercício ético e responsável da profissão dado ao conhecimento específico das diversas áreas do saber por qual o acadêmico do curso se insere.
A riqueza desse conhecimento na Academia é o que oferece ao futuro profissional uma condição crítica para que seja capaz de reportar a realidade de maneira a contribuir para uma sociedade mais humana, entendendo que a reflexão conduz ao questionamento. A discussão sobre o diploma tem a ver com o debate do papel social do jornalismo como instância de saber capaz de influenciar consciências mais críticas e que o mau exercício da tarefa implica em danos sociais quando minimiza a possível leitura não alienada dessa realidade. Não se trata, portanto, apenas da defesa de uma profissão, mas do interesse universal de humanização de uma sociedade adaptada às determinações alienantes de um sistema posto como de interesse universal, mas que atende interesses particulares.
O descortinar do olhar social para uma realidade que na aparência imediata se põe de maneira inquestionável é um dos papéis relevantes do jornalismo. Essa é uma discussão inerente ao ensino do jornalismo que ultrapassa a visão superficial da prática jornalística como mera atividade da escrita. Há por dentro do fazer jornalismo a construção de uma carga teórica que propõe, de maneira séria e compromissada, a prática transformadora da realidade.
Dessa maneira, o compromisso da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (Facomb/UFG) tem sido no esforço de formar jornalistas capazes de contribuir de maneira crítica na melhoria da realidade que o cerca, e isso é construir a história. A banalização da profissão do jornalismo implica, portanto, na desvalorização da busca do saber epistemológico, que nega a construção do conhecimento como algo importante para o desenvolvimento de uma sociedade. A prática do jornalismo a partir da visão míope do “saber escrever” apenas, de fato, não necessita de diploma.
Ao insistir na exigência do diploma de jornalismo, a Facomb não defende apenas o interesse de uma categoria, mas o interesse social. Por outro lado, é pertinente observar que a sociedade pode até não perceber a importância do jornalismo dessa maneira. Nesse caso, ainda há a necessidade da discussão ser mais clara e envolver os diversos segmentos da sociedade, entendendo que só há mudança quando há mobilização social. Nesse caso, a perda não se limita ao campo acadêmico, mas há que ampliar o debate nos meios sociais para que haja essa conscientização. Nesse contexto, a decisão do STF é também um cutucão na arrogância jornalística, de uma categoria que do alto da sua dita “auto-suficiência” não consegue se organizar a ponto de fazer valer a força que tem. Dessa maneira, esse é também um momento de auto-reflexão. Ou seja, até que ponto o jornalista de fato tem contribuído para a formação de consciências mais humanas e libertadoras. Entre tantas razões e tantos interesses que permeiam a decisão da Corte, a fragilização da profissão encontra campo fértil no próprio exercício da profissão. Nesse sentido, a Facomb manifesta sua indignação diante da decisão do STF, ao mesmo tempo em que se sensibiliza para a necessária auto-crítica que deve partir de dentro do âmbito jornalístico.

Flora Ribeiro é professora do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG

Manifestação (imagens)









Imagens feitas em datas variadas. E por fotográfos variados

No PR, alunos de jornalismo protestam contra o fim da exigência do diploma


Segurando cartazes, manifestantes usaram nariz de palhaço.
Ato aconteceu na Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba.

Do site do G1

Jornalistas do PI fazem ato pelo fim do diploma


"Cerca de 200 pessoas protestaram contra fim de obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

Após a decisão do Superior Tribunal Federal (STF) de cassar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, alguns profissionais, professores e estudantes de cinco Estados realizaram protesto nesta segunda (22). Em Teresina, de acordo com Luis Carlos Oliveira, presidente do Sindicato dos Jornalistas, houve a participação de aproximadamente 200 pessoas na manifestação. O protesto aconteceu também em Caxias do Sul, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.

Após a caminhada pela avenida Frei Serafim, houve uma audiência pública na Assembléia Legislativa. "A instituição vai apresentar uma monção de apoio aos jornalistas, condenando a decisão do STF. No dia 17 de julho haverá reunião em São Paulo com representantes de todos os sindicatos do Brasil, onde vamos discutir o que fazer daqui em diante", informa Luis Carlos.

A Federação Nacional de Jornalistas tem uma proposta de regulamentação da profissão que está sendo estudada e deve ir para o congresso. "Nós vamos defender que seja atualizada a regulamentada a situação dos profissinais", diz o presidente do sindicato.

A estudante de jornalismo da Universidade Estadual do Piauí e membro do coletivo-Piauí da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação, Larissa Andrade, acha que a manifestação foi tardia. Para ela, a formação que estamos recebendo dentro das universidades é uma discussão que se sobrepõe à obrigatoriedade do diploma. "Acho bastante válidas as manifestações, acredito no poder dos estudantes, mas me questiono porque isso só aconteceu agora. Fico me perguntando se os estudantes de comunicação discutirão currículo e qualidade de formação", questiona Larissa."


Nayara Felizardo
(Especial para o Cidadeverde.com)
redacao@cidadeverde.com.

P.S.: imagens divulgadas no site: http://www.cidadeverde.com/txt.php?id=39903

Estudantes de jornalismo se mobilizam pela regulamentação do profissão

Publicado em: http://radioprogresso.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15087:estudantes-de-jornalismo-se-mobilizam-pela-regulamentacao-do-profissao&catid=18&Itemid=66


Nessa quarta-feira a partir das 18h45 os alunos do curso de Comunicação Social da Unijuí estarão realizando na esquina da Rua do Comércio com a Rua São Francisco, uma mobilização em defesa da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A desregulamentação da profissão foi uma decisão do STF (Superior Tribunal Federal) tomada na última semana. O diploma de jornalista vinha sendo uma prerrogativa para a admissão de profissionais da área nas empresas de comunicação desde 1979, fato que não será mais cobrado.

Para Larry Wizniewski, professor do Departamento de Letras, Artes e Comunicação essa decisão é um retrocesso para a sociedade “A decisão do STF torna muito mais complicada a luta por uma informação de qualidade. O que conquistamos nesses últimos 40 anos parece agora estar ameaçado. Se a comunicação é a saúde da sociedade, considero a sociedade brasileira doente”, pondera.
Estudantes de Jornalismo de diversas cidades do país estão organizando novas manifestações de desagravo à decisão do STF. Em Porto Alegre, haverá uma manifestação na quarta-feira no Largo Glênio Peres a fim de mobilizar a sociedade em torno da questão. Paula Kroth, acadêmica de jornalismo, salienta a importância da formação acadêmica para o exercício da profissão “Para nós, grupo de alunos de comunicação, que primamos pelo exercício pleno da profissão, pela busca por uma informação cada vez mais qualificada e que atenda aos interesses do bem coletivo não nos parece justa a decisão”, conclui.

O ato dos acadêmicos contará com o apoio de diversas entidades representativas de classe, como por exemplo, a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), o DCE (Diretório Central dos Estudantes) e o DACOM (Diretório Acadêmico de Comunicação).
Os manifestantes irão de preto, com colher de pau, apito e nariz de palhaço Professores do curso, representantes dos alunos e de entidades que apóiam o movimento irão participar do evento.

Sindicato quer encaminhar proposta de nova legislação para jornalistas

(Publicado em:www.pernambuco.com/ultimas/nota.aspmateria=20090622173356&assunto=81&onde=Brasil)

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo deve encaminhar ao Congresso Nacional um pedido para que seja criada uma nova legislação para a profissão de jornalista, desregulamentada, na semana passada, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que acabou com a exigência do diploma para exercício da atividade. Na segunda quinzena do mês de julho, o sindicato de São Paulo pretende se reunir com os demais sindicatos do país para debater o assunto.

“A questão é se voltar para um marco regulatório da comunicação no Brasil. A questão agora não é mais judicial, mas legislativa”, disse o presidente do sindicato, José Augusto Camargo.

Segundo ele, a sociedade brasileira precisa exigir do Congresso Nacional “salvaguardas mínimas” para tentar garantir a “qualidade da informação, o direito de resposta e o controle externo, popular e público sobre algumas concessões de rádio e TV”.

“Não se pode desregulamentar o mercado da comunicação completamente. É um retrocesso”, disse o presidente do sindicato, ressaltando que a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada em dezembro deste ano, deverá discutir marcos regulatórios para a comunicação e colocará a profissão de jornalista “como parte integrante” disso.

A desregulamentação da profissão de jornalista voltou a ser discutida na tarde de hoje (22) durante evento promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo, e que contou com a participação do presidente do STF, Gilmar Mendes.

Enquanto o ministro comentava brevemente sobre a desregulamentação da profissão para os empresários num hotel próximo à Avenida Paulista, centenas de estudantes de jornalismo faziam uma manifestação do lado de fora contra a decisão do Supremo.

“É absolutamente normal [a manifestação] e talvez uma incompreensão. Na verdade, eles não estão protestando contra mim, mas contra a decisão do Supremo. Eu apenas proferi um voto dentre os oito que foram proferidos contra a legitimidade da regulamentação”, afirmou Gilmar Mendes.

O ministro disse não saber ao certo como essa decisão do Supremo vai se manifestar no mercado de trabalho, mas afirmou acreditar que as empresas jornalísticas deverão continuar exigindo a formação de jornalista num modelo de autorregulação. “Talvez venha a se exigir, nesse mundo complexo, até mais do que isso. Até que as pessoas tenham uma formação em jornalismo e em outra área”, explicou.

A hipótese de o mercado de trabalho se autorregular não foi bem vista pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. “A sociedade moderna e contemporânea não é só isso. Não é só a regulação do mercado, não é só a regulação por parte do empresariado. Tem a regulação por parte dos trabalhadores. Tem uma demanda de regulação por parte da sociedade”, afirmou Camargo.

Gilmar Mendes voltou a dizer que outras profissões também poderão ser desregulamentadas, a exemplo do que ocorreu com a de jornalista, mas não soube citar quais seriam elas.

“Não sei citar. Basta olhar a lista de leis regulamentadoras de profissão e ver se elas atendem aos requisitos estabelecidos pelo Supremo, tais como risco à saúde, risco à população ou necessidade de intervenção estatal”, disse.

Segundo ele, entre as profissões ameaçadas estariam algumas que estão para ser regulamentadas pelo Congresso Nacional. “Acredito que a própria proposta e o entendimento do Supremo Tribunal Federal já vai fazer cessar esse impulso no Congresso Nacional”, afirmou.

Durante entrevista coletiva, logo após o evento, o ministro foi indagado por uma das jornalistas se ele teria “ideia de como se faz um jornal”. Em resposta, o ministro se limitou a dizer: “Alguma ideia eu tenho. Eu sei que é um milagre de todo dia, como os senhores dizem”.

Da Agência Brasil

Jornalistas pedem apoio aos deputados

Os jornalistas lotaram as galerias da Assembléia Legislativa na tarde desta segunda-feira, 22, para cobrar apoio dos deputados

(Publicado em: http://www.infonet.com.br/politica/ler.aspid=86944&titulo=politicaeeconomia)

"Os jornalistas lotaram as galerias da Assembléia Legislativa (AL) na tarde desta segunda-feira, 22. Desta vez não para produzir reportagens, mas para protestar contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que extinguiu a obrigatoriedade do diploma. A categoria compareceu à AL vestida de preto, como forma de demonstrar insatisfação com a medida. Em discurso uníssono, os deputados manifestaram apoio aos jornalistas e ressaltaram a importância da qualificação como pré-requisito para o exercício da profissão.

“Os jornalistas podem contar com o apoio dos parlamentares para que este quadro seja revertido”, disse o deputado Garibalde Mendonça, que encabeçou as discussões na tarde desta segunda-feira. “Os reflexos da decisão do STF serão negativos ao bom jornalismo e aos estudantes que ainda estão nas faculdades de comunicação investindo para conquistar o nível superior”, ressaltou ele.
O deputado Francisco Gualberto, que desde a semana passada também já havia se manifestado sobre o assunto, reiterou que “é unânime o descontentamento com a decisão e por isso, ela deve ser revertida”. O parlamentar Arnaldo Bispo afirmou que “a decisão vai na contramão dos avanços das classes trabalhistas”.

“A luta continua”

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor/SE), George Washington, explicou que é preciso ter cautela na discussão do assunto antes que se tome qualquer medida em relação à decisão do STF. “Estamos aguardando a publicação do acórdão para só depois entender todos os argumentos que levaram os ministros a votar pela derrubada do diploma”, afirmou George, ao lembrar que o a instituição da obrigatoriedade do diploma existe há 40 anos.


George Washington
Ele ainda cobrou da categoria e dos parlamentares um posicionamento anterior a decisão. “O sindicato já vinha alertando sobre a possibilidade do STF tomar esta medida, mas ninguém se movimentou para protestar contra isso, mas a luta continua e esperamos contar com a união da categoria para que isto seja revertido”, argumentou o presidente.

“A profissão não deixa de existir”

“A decisão do STF não anula a profissão, não desregulamenta as definições trabalhistas, pois estão definidas na CLT e nas convenções coletivas”, acalmou George sobre o temor dos profissionais sobre a possibilidade de extinção da profissão. “A profissão de jornalista continua existindo, o que muda é a forma de ingresso no mercado”, explicou.


Polyana Bittencourt
A professora do curso de Jornalismo da Universidade Tiradentes, Polyana Bittencourt, defendeu a mesma posição do presidente do Sindijor/SE. Para ela, “a qualidade dos jornalistas formados pelas universidades sempre será levada em conta”.

Infonet pára por uma hora

Os repórteres do Portal Infonet também acompanharam a sessão. Por uma hora, a página não foi atualizada como forma de protesto pela decisão. De acordo com a editora de conteúdo do portal, Raquel Almeida, “temos que acreditar que ainda podemos reverter esta situação ou pelo menos regulamentar novamente a profissão”.

Por Valter Lima

Paródia de "Festa de Arromba", dedicada aos políticos

Sobre ser jornalista e ganhar pouco.

Frase de Tiago Sampaio, vulgo Carioca: "Tipo... Eu não faço Jornalismo por dinheiro, é porque eu gosto. Mas, nem todo amor é correspondido!"
srsrsrs

A ridícula decisão do STF


Publicado em: http://alinemenezes.com

"A ideia de que qualquer um pode produzir jornalismo é de uma estupidez tremenda. E
mais. Nenhum jornal deixou de contratar colaboradores, nos últimos 40 anos, para atuar como articulistas ou especialistas em assunto. A tentativa aqui dos jornalões e do ministro Gilmar Mendes é tentar impor um nivelamento geral, por baixo, enquadrando os que se opõem a esse discurso maroto da defesa da liberdade de expressão. Buscam homogeneizar as condutas dos repórteres independentes." (Olímpio Cruz Neto, jornalista, assessor de imprensa e professor de jornalismo. Trabalhou no Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, O Globo e Correio Braziliense, entre outros jornais da imprensa nacional)

"As pessoas esquecem que os jornais vão e vêm. O jornalismo, não. As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, nos jornais das cidades grandes ou pequenas, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém." (Gay Talese, escritor e jornalista norte-americano. Um dos criadores do movimento chamado de Novo Jornalismo, criado na década de 1960, que incorporava no jornalismo características literárias)

Após a decisão ridícula do Supremo Tribunal Federal (STF) de retirar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, com argumentos imbecis, burros e mal fundamentados, eu, Aline Menezes, jornalista por formação (e não por deformação), compartilho com os meus amigos leitores a minha revolta contra esse tipo de desdém. Neste momento, pessoas motivadas pela tentativa de desqualificar, desvalorizar e reduzir os aspectos e impactos políticos e sociais do jornalismo, entre outros, batem no peito e se orgulham de tratar profissionais como verdadeiros ratos de laboratório.



Quero ser Juiz de Direito

Sem exigência de diploma


Gadelha Neto, jornalista

A decisão do STF, que dispensa o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, me abre um mundo novo: a possibilidade de ser Juiz de Direito e, quem sabe, até alçar voo rumo ao próprio Supremo.

Sim, porque a decisão deixou claro que a minha profissão não exige diploma porque não são necessários conhecimentos técnicos ou científicos para o seu exercício. Disse mais: que o direito à expressão fica garantido a todos com tal “martelada”.

Tampouco a respeitabilíssima profissão de advogado e o não menos respeitável exercício do cargo de juiz pressupõem qualquer conhecimento técnico ou científico. Portanto me avoco o direito (e, mesmo, a obrigação), já que assim está decidido, de defender a sociedade brasileira diante dos tribunais e na própria condução de julgamentos.

Além de ser alfabetizado e, portanto, apto a ler, entender, decorar e interpretar nossos códigos e leis, tenho 52 anos (o que me dá experiência de vida e discernimento sobre o certo e o errado) e estudei – durante o curso de jornalismo (!) – filosofia, direito, psicologia social, antropologia e ética – entre outras disciplinas tão importantes quanto culinária ou moda: redação em jornalismo, estética e comunicação de massa, radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso etc.

Com essa bagagem e muita disposição, posso me dedicar aos estudos e concorrer às vagas de juiz pelo Brasil afora, em pé de igualdade com os colegas advogados. Também posso pagar e me dedicar aos cursos especializados em concursos públicos para o cargo, se eu julgar necessário. E não é justo que me exijam, em momento algum, qualquer diploma ao candidatar-me ao cargo.

Afinal, se a pena de um jornalista não pode causar mal à sociedade (!!?), a de um juiz também não teria este poder de fogo. As leis – e elas são justas em si – existem para serem cumpridas e cabe a um juiz, tão somente – usando da simplicidade do STF – seguir a “receita de bolo” descrita pelos nossos códigos. Assim sendo, um juiz não pode causar mal algum a ninguém, se seguir, estritamente, o que determina a lei. Concordamos?

Data venia, meus colegas advogados, por quem nutro o devido respeito (minha mãe, cunhada, irmão e sobrinha – por favor, compreendam), quero ser juiz porque é um direito meu, assegurado pelo STF, e o salário de jornalista não está lá estas coisas.

Novo endereço da FENAJ


Comunicamos que a Federação Nacional dos Jornalistas-FENAJ está em novo endereço: SCLRN 704, BLOCO F, LOJA 20 - ASA NORTE. CEP.: 70730-536 - Brasília/DF.

O jornalista cozinheiro e o fim do diploma

18 DE JUNHO DE 2009 - 20h11

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=58225

"Renata Mielli:

Nesta quarta-feira (18), o Supremo Tribunal Federal acabou com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Sob o argumento da liberdade de expressão, o STF pela segunda vez este ano assume o papel do legislador no campo da comunicação e cria mais um vácuo normativo nesta área. A primeira situação a que me refiro foi o julgamento da inconstitucionalidade da Lei de Imprensa.

Por Renata Mielli, no blog Janela sobre a Palavra


Em seu voto, Gilmar Mendes faz a lamentável comparação entre a atividade do jornalista e a do cozinheiro: “Um excelente chef de cozinha certamente poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima o Estado a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, afirma.

Jornalismo não é conversa familiar, não é troca de ideias em volta de uma mesa farta de quitutes. É informação em massa, é mediação de temas delicados, é poder. Nada tem haver com culinária.

O jornalista não segue [ou pelo menos não deveria seguir] receitas para a construção de um texto — apesar de atualmente os cursos de jornalismo ensinarem a receita em boa parte responsável pelo empobrecimento do jornalismo — o que, quem quando, onde, e por que. Não sou ferrenha defensora do diploma de jornalista, mas acho que alguma formação complementar deveria haver para quem se aventurar a seguir essa profissão.

Contudo, sou absolutamente militante da necessidade de haver uma regulamentação para o exercício da profissão e de regras que orientem toda a atividade de comunicação.

Com o fim do diploma e sem outra normas que regulem a atividade profissional, quais os critérios que serão utilizados para a contratação de jornalistas? Sem regras estabelecidas, qualquer um poderá se habilitar à função, a decisão caberá somente ao contratante. Mas, ao contrário do que advoga o STF, ser jornalista requer habilidades e certa formação específica e não apenas conhecimentos e cultura geral. Estes são, sim, importantes, mas também o são noções de teoria de comunicação e ética, por exemplo.

Liberdade de empresa

Outro aspecto a ser analisado é a quem interessa o fim do diploma e a ausência de normas: a população? Não acredito. Em nada a população será beneficiada por esta medida. A exigência do diploma jamais foi contraditória com a liberdade de expressão.

Os jornais, revistas, rádio, televisão e agora a internet nunca deixaram de dar voz a não jornalistas, que o fazem através de artigos, colunas e entrevistas. Cada qual sempre teve seu espaço reservado nos veículos. O jornalista responde pelo conteúdo noticioso, os não jornalistas pelo conteúdo opinativo.

A falta de regulamentação para o exercício do jornalismo interessa sim aos donos dos veículos de comunicação, que poderão exercer maior pressão sobre seus empregados, baixar salários, ampliar a rotatividade de trabalhadores, precarizar as relações de trabalho e ampliar ainda mais o seu poder de intervenção sobre o que é noticiado em seus veículos.

Deixar o exercício da profissão e a atividade de comunicação sem regulamentação é uma arbitrariedade que nada tem haver com a liberdade de expressão, mas tão somente com a liberdade de empresa. Onde não há regras impera a lei do mais forte e conferir ainda mais força aos impérios midiáticos e algo muito temeroso para a democracia.

No momento em que a sociedade se mobiliza para a 1ª Conferência de Comunicação, que acontecerá em dezembro, este passa a ser um dos temas obrigatórios da pauta dos debates."

OAB sai em defesa dos jornalistas

Publicado no site da FENAJ

Colégio de Presidentes da OAB lamenta decisão do Supremo contra jornalistas

Maceió (AL), 19/06/2009 - O Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, por unanimidade, lamentou hoje (19) a decisão do Supremo Tribunal Federal que pôs fim ao diploma de jornalista, bem como ao registro profissional no Ministério do Trabalho. Em sessão plenária dos 27 presidentes da OAB dos Estados e Distrito Federal, conduzida pelo presidente nacional da OAB, Cezar Britto, o Colégio expressou sua preocupação com as consequencias de
tal decisão para a sociedade brasileira, em seus aspectos técnicos e, sobretudo, éticos.

O Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB referendou posição do presidente nacional da entidade, Cezar Britto, de que o Supremo não avaliou corretamente o papel do jornalista e suas implicações para a liberdade de imprensa no País. Para os dirigentes das Seccionais, a decisão pode prejudicar a independência e qualidade futuras do jornalismo brasileiro, antes garantidas pelo diploma e o registro profissional do jornalista abolidos pelo STF. Além disso, eles manifestaram preocupação com o precedente que a medida pode representar, colocando em risco conquistas históricas de outras profissões regulamentadas no País.

Fim da necessidade de diploma divide opiniões de alunos de jornalismo

Publicado no site do G1: http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1200879-5604,00-FIM+DA+NECESSIDADE+DE+DIPLOMA+DIVIDE+OPINIOES+DE+ALUNOS+DE+JORNALISMO.html

"Fim da necessidade de diploma divide opiniões de alunos de jornalismo
Decisão do STF derrubou a exigência do documento na quarta-feira (17).
Docentes e estudantes temem que a decisão enfraqueça a classe.
Paulo Toledo Piza
Especial para o G1, em São Paulo


Aline Lamas e Gabriela Rangel temem as consequências da medida.
O fim da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista dividiu as opiniões no mundo acadêmico. Professores e alunos consultados pelo G1 disseram temer que a decisão tomada quarta-feira (17) pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) enfraqueça a classe. Outros acreditam que o mercado de trabalho permanecerá o mesmo.


O estudante de jornalismo Rahal Ahmad, de 21 anos, ficou desanimado com a notícia. “É muito ruim, pois pode fechar algumas portas, mas acho que as grandes empresas jornalísticas manterão a exigência do diploma”, comentou.

A aluna Aline Lamas, de 19 anos, teme o enfraquecimento da classe. “Isso dificulta a regulamentação da profissão”, disse. “Aprendemos muitas coisas na faculdade, como sociologia e psicologia. Acho complicado alguém escrever sem essa base.”

Gabriela Rangel, de 20 anos, concorda com sua colega. “Essa decisão [do STF] não deverá melhorar a qualidade do jornalismo. É importante o profissional ter noção da teoria que só se adquire na faculdade.”

A opinião da jovem vai contra a do presidente do STF, Gilmar Mendes. Na quarta-feira, ele afirmou que, a seu ver, o fato de um jornalista ser graduado não significa mais qualidade na área. “A formação específica em cursos de jornalismo não é meio idôneo para evitar eventuais riscos à coletividade ou danos a terceiros.”

No terceiro ano de graduação, o futuro jornalista Greg Fernandes, de 22 anos, concorda com a decisão de Mendes. “Não precisa de faculdade para saber como apurar uma notícia. Não é certo só jornalistas escreverem nos jornais”, afirmou.

Apesar de o diploma não ser mais necessário, nenhum dos estudantes ouvidos pensa em desistir da formação superior.

Cursinho



Vestibulandos Amanda Nogueira e Pablo Sansuste concordam com o fim da necessidade do diploma.
A decisão do STF também repercutiu entre alunos de cursinho que se preparam para entrar na faculdade de jornalismo. Amanda Nogueira, de 19 anos, disse ser a favor do fim da necessidade do diploma. “Apesar de aumentar a concorrência, isso irá melhorar a qualidade da informação”, disse.

Opinião reiterada por Pablo Sansuste, de 19 anos: “Isso acaba com o intermediário. Não precisará do jornalista para chegar até a informação. [As empresas] vão direto para quem sabe do assunto.”

Já a universitária Laura Salerno, de 18 anos, disse acreditar que a situação nas empresas permanecerá a mesma que a atual. “Acho que isso não afetará o mercado de trabalho. Mas o jornal terá a liberdade de chamar um especialista [sem diploma de jornalismo] para cobrir determinado assunto.”

Docentes


Professores de jornalismo mostraram-se apreensivos em relação às consequências da medida no campo profissional. Segundo o professor do Mackenzie Edson Capoano, de 30 anos, a questão salarial poderá ser motivo de preocupação no futuro. “Espero que [o fim da necessidade de diploma] não seja uma maneira de baixar salarialmente o piso da categoria”, afirmou. “E que as redações não se transformem em redutos de especialistas com chefes interessados em publicidade”, acrescentou.

Da parte dos alunos, Capoano percebeu um certo receio em relação à medida. “As novas gerações estão receosas a respeito de que mercado de trabalho vão encontrar e alguns alunos, mais inseguros, questionam até ficar na faculdade”, revelou.

A diretora do Centro de Comunicação e Letras do Mackenzie, Esmeralda Rizzo, de 52 anos, ressaltou a importância do diploma, independente se ele é ou não obrigatório. “A oferta de trabalho será muito grande, e ela será avaliada”, afirmou. “O diploma será um diferencial”, concluiu.

Questionada por alunos sobre a necessidade da formação superior, a coordenadora de jornalismo das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Márcia Furtado, 51, afirmou: “O aluno frequenta a faculdade para ir atrás de uma carreira, não de um diploma”.

Para a professora, o jornalismo não é um curso técnico, “ao contrário do que pensam os ministros [do STF]”. “Formamos cidadãos críticos capazes de mostrar a realidade da forma mais imparcial possível”, comentou. “Temos na faculdade um preparo humanístico, uma base cultural forte, para compreender o mundo em que vivemos.”

O professor Rodolfo Carlos Martino, coordenador de jornalismo da faculdade de comunicação da Metodista, criticou a decisão dos ministros do STF. “Ela [a decisão] aposta no retrocesso e tenta de uma maneira contundente banalizar o fazer jornalístico.”

Como solução para essa medida, Martino apontou a luta pela regulamentação da profissão. “Essa é uma luta muito antiga, que vem desde 1918, quando aconteceu o primeiro congresso da Associação Brasileira de Imprensa”, disse. “Devemos lutar pela regulamentação da profissão para tirar o jornalismo dessa terra de ninguém”, completou."

Regulamentação de jornalista vira incógnita

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a exigência do diploma de curso superior para o exercício do jornalismo, tomada na última quarta-feira, deixou incertezas sobre o futuro da profissão no País. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) aguarda a publicação do acórdão do Supremo para avaliar o impacto da mudança sobre a categoria e definir uma estratégia para tentar reverter a derrubada do diploma.

A dúvida está no argumento utilizado pelo relator do voto, o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, que afirmou que “o jornalismo é uma profissão diferenciada por causa da proximidade com a liberdade de expressão”, direito previsto na Constituição.

Vale a pena continuar com o curso de jornalista?

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/max-gehringer/MAX-GEHRINGER.htm

ou



(site da CBN)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

E, agora José? Ter ou não diploma?


DIPLOMA DE JORNALISMO
Os cinco clichês dos entusiastas do "clubinho douto"

Por Maxwell dos Santos em 9/6/2009
(http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=541DAC002&#c)

"A excepcionalidade de que goza o jornalismo, dentre as instituições democráticas, consiste em que seu poder não repousa num contrato social, numa delegação do povo por eleição ou por nomeação com diploma ou por voto de uma lei impondo normas. Para manter seu prestígio, e sua independência, a mídia precisa compenetrar-se de sua responsabilidade primordial: servir bem à população" (Claude-Jean Bertrand, A Deontologia das Mídias. Tradução de Leonor Loureiro. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 1999, págs. 22-23).

Por muito tempo, estivemos analisando as manifestações favoráveis à manutenção da obrigatoriedade do diploma de jornalista no site da Fenaj e vimos a maior concentração de disparates em uma só página. O fato é que a turma fenajista quer mesmo manter fechado o "clubinho douto", pois tem medo da competição e se escora numa reserva de mercado surgida num momento tenebroso da História do Brasil, onde muitos jornalistas foram perseguidos, torturados e até assassinados. Face a essa cantilena, decidimos então refutar os principais argumentos utilizados pelos apólogos do canudo:

1. Comparar o Jornalismo às profissões técnicas, como Medicina, Engenharia e Direito para defender o diploma

"Se diploma não for obrigatório, amanhã mesmo vou abrir um consultório médico e vou virar cirurgiã! Afinal de contas, conhecimento e estudos pra quê?" (Tatiana Vasco Souza, jornalista, Triunfo, RS)

"Assim como os advogados, médicos e dentistas, os jornalistas também têm que ser diplomados. Jornalismo não é brincadeira!" (Igor Abreu, jornalista - Angra dos Reis, SP)

"Assim como médicos precisam de diploma para operarem as pessoas, o jornalista precisa do diploma para servir a sociedade com a verdade e ética!" (Clarissa Hermes, acadêmica de Jornalismo, UFSM/Frederico Westphalen, RS)

Este é o pior e o mais infantil de todos os argumentos expostos para defender o diploma. Algumas manifestações chegam a apelar à ironia, como uma jornalista gaúcha que se não precisasse de diploma, abriria um consultório médico e viraria cirurgiã. Alexandra Martins, da UniCEUB, editora do blog Fotografia Sem Preconceito, é um dos raríssimos casos de estudantes de Jornalismo que fazem oposição à reserva de mercado aos diplomados. Ela critica essa argumentação absurda [MARTINS, Alexandra. Contra obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Fotografiasem preconceito. Disponível aqui.Acesso em 20 mai 2009]:

"Acho fraco o argumento daquelas pessoas que se utilizam da comparação com outras profissões para defenderem o diploma de jornalismo. Mesmo que o tema em questão seja "obrigatoriedade do diploma" não é possível comparar profissões porque elas apresentam estruturas e históricos diferentes. Faculdades de Medicina e Direito tem notas `A´ e `B´ no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), os cursos de Comunicação tiram em média `C´ e `D´. Médicos e advogados tiram férias, têm FGTS e possuem uma classe trabalhadora forte. Muito o contrário acontece na profissão de jornalismo."

Everton Maciel, filósofo, um dos editores do Blog do Capeta, faz críticas severas à essa comparação descabida da "panelinha" [MACIEL, Everton. "O protecionismo não tem um sentido sustentável II". O Blog do Capeta. Disponível aqui.Acesso em 02 jun 2009]:

"Indiscutivelmente, comparar o jornalismo com profissões técnicas é a falácia mais usada para defender a obrigatoriedade do diploma. No entanto, é difícil encontrar quem argumente que o jornalismo é uma profissão verdadeiramente técnica e não intelectual (como verdadeiramente é)."

Em outro artigo, Everton prossegue seus apontamentos acerca desta "pérola fenajista" [MACIEL, Everton. "É hoje". O Blog do Capeta. Disponível aqui.Acesso em 02 jun 2009]:

"A exigência do diploma específico para o exercício da nossa profissão cairá, nas mãos do STF. Isso acontecerá por vários motivos. Primeiro: continuar comparando Jornalismo com as profissões técnicas (Odonto, Medicina, Engenharia etc.) é falta de sobriedade. Ainda: jornalismo não é ciência (humana ou técnica), arte ou filosofia. Portanto, sequer merece estar dentro da universidade – pelo menos no nível da graduação. Quem sabe, uma especialização seja algo menos absurdo?"

O jornalista Mino Carta já disse uma vez: "Jornalismo não é ciência, na melhor das hipóteses pode ser arte. Depende do talento inato de quem o pratica, da qualidade de suas leituras." Também acreditamos que o jornalismo está mais próximo da arte do que da ciência. Porém, os milicos fizeram o grande "favor" de transformar uma profissão de cunho intelectual e artístico numa profissão técnica.

A patota verde-oliva queria identificar veículos e profissionais existentes no país e exercer sobre eles a censura; por isso, nos veículos havia censores para aprovar o que poderia ou não ser divulgado. Outro objetivo era afastar e constranger aqueles jornalistas que não tinham diploma e que em sua imensa maioria eram opositores do regime militar. Para isso, os generais trataram de esvaziar os cursos de ciências sociais, antros de marxismo e costumeiros fornecedores de esquerdistas para as fileiras da imprensa.

2. Considerar o curso específico de jornalismo como melhor formação e única via de acesso ao postulante à profissão

"É preciso haver qualificação, sempre. A universidade/faculdade será importante para fornecer aos futuros profissionais, mesmo que pouco e com deficiências, uma `bagagem´ técnica mínima para o exercício da profissão" (Heitor Navarrete Bisi, jornalista, São Paulo, SP)

"A regulamentação é importantíssima para garantir informação com qualidade. É inadmissível ter formadores de opinião sem qualificação, desconhecedores dos princípios que regem a profissão e sem a bagagem cultural necessária. Precisamos de profissionais comprometidos e por isso deverá ser obrigatório os quatro anos de faculdade" (Patrícia Moreira, jornalista)

"Apoio a campanha em favor da regulamentação da obrigatoriedade do diploma na profissão do jornalista. Temos o 4º poder nas mãos e para isso tivemos que estudar e nos especializar, então não é possível exercer essa função sem os conhecimentos obtidos na academia" (Thalita Nascimento, jornalista, Salvador, BA)

Isso mostra a força da tradição bacharelesca (onde só é considerado jornalista quem tem diploma) e academicista (onde somente na academia que se aprenderá os fundamentos técnicos para ser um bom jornalista), que impera no Brasil desde os idos coloniais, onde há a substituição do conteúdo pela forma (o conhecimento pelo diploma). O diploma tornou-se uma espécie de autorização para se trafegar no mercado de trabalho, principalmente no jornalístico. Instituições de ensino superior particulares são cartórios que vendem à prestação a licença para trabalhar.

Com exceção das universidades públicas e aquelas ligadas a entidades confessionais, as universidades privadas caça-níqueis, beneficiadas pelo "libera geral de cursos" promovido na gestão de Paulo Renato Souza no Ministério da Educação, põem no mercado um verdadeiro exército de jornalistas que não têm a mínima condição de entrar nesse mercado, que não sabem botar ponto e vírgula numa oração, tampouco redigir meia lauda.

Muita gente é formada em jornalismo, mas é incapaz de executar uma entrevista. Existem pessoas não levam jeito para a profissão e fazem jornalismo ou por pura vaidade pessoal ou pela ambição de trabalhar na TV e chegar a ser o William Bonner ou a Ana Paula Padrão. Mas são poucos os jornalistas que chegam a esse topo da carreira, a ponto de ganharem salários acima dos 100 mil reais.

O jornalista Ewaldo Oliveira mostra que a manutenção do estado de coisas na regulamentação da profissão de jornalista diz respeito aos professores de jornalismo e sindicatos [OLIVEIRA, Ewaldo. "Regina Duarte e os órfãos do medo". Observatório da Imprensa. Disponível aqui. Acesso em 03 jun 2009]:

"Por coincidir com interesses corporativistas, a `regulamentação´ foi e ainda é defendida pelos sindicalistas e outros corporativistas amedrontados diante da competição. Estão com saudades do peso da botina. Estão pensando apenas em seus interesses. A liberdade conferirá ao mercado uma nova dinâmica. A exigência do diploma fechou o mercado aos diplomados, estimulou a indústria do canudo, criou um mercado de trabalho artificial: o dos professores de Jornalismo.

Por isso, a liberdade recuperada incomoda. Muitos professores em todo o país encontraram uma alternativa de emprego ensinando aquilo que pouco praticaram. Formam massas de estudantes catequizados: ensinados, adestrados a imaginar que a reserva de mercado é natural e saudável. É interessante apenas para manter empregos de ensinadores de técnicas. Serve apenas para conferir poder de polícia aos sindicalistas. Estes se acostumaram a perseguir e caluniar profissionais honestos, amparados no denuncismo cínico e irresponsável e na tutela do Estado excessivamente regulamentador. Vão perder o poder de patrulha."

Os cursos de Jornalismo têm um caráter tecnicista, voltado para as demandas do mercado e a base humanística é ínfima, para não dizer nula. A Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social), no XV Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação Social, ocorrido em Maceió-AL, de 20 a 27 de janeiro de 2007 já expôs sua opinião quanto à obrigatoriedade do diploma específico para jornalista e o caráter tecnicista dos cursos de comunicação:

"Contra a obrigatoriedade da exigência do diploma de jornalista, por uma outra forma de regulação profissional que impeça a precarização da profissão;

(...)

Contra a ideologia mercadológica adotada pelas faculdades na formação do comunicólogo. Contra o caráter tecnicista dos currículos dos cursos de comunicação social. Por um projeto pedagógico voltado para a formação humanista e a transformação da sociedade."

O ensino superior ainda é privilégio para poucos no Brasil, mesmo com cotas nas universidades e ProUni. A exigência do diploma emburrece e elitiza o jornalismo. Emburrece, pois fecha o mercado jornalístico àqueles que possuem graduação específica na área, e que na maioria das vezes, não tem uma bagagem intelectual que um graduado de Ciências Sociais ou História e que numa redação, poderiam ser de grande valia. E elitiza, pois a conclusão do curso superior de jornalismo custa ao estudante, nos quatro anos, incluindo todas as despesas, praticamente o valor de uma casa própria de classe média baixa: de 40 a 50 mil reais no mínimo. Quem pode pagar esse valor? E como fica depois da conclusão, haverá no mercado de trabalho a possibilidade de recuperação do dinheiro investido?

Muitas pessoas anseiam exercer o jornalismo, mas por reveses da vida, não puderam fazer um curso superior na área. Em São Paulo, na USP, Jornalismo é mais concorrido que Medicina.

3. Dizer que os jornalistas precários são picaretas

"Com muita indignação, pois não estudei durante 4 anos, como os demais profissionais da área, para que precários possam utilizar "jornalecos" e acabar como nossas vagas de empregos. Agora qualquer um pode ser jornalista. Vamos deixar as vaidades de lado, e criar logo um Conselho Regional de Jornalismo (CRJ), é uma vergonha para nossa classe, bom será que temos uma classe?" (Luana Coelho de Arruda Camargo, jornalista, Ubatuba, SP)

"Chega de precaretas! O diploma é fundamental para a formação de um bom profissional, em qualquer área!" (Fernando Gonçalves, jornalista, Três Lagoas, MS)

Em qualquer profissão, existem bons e maus profissionais independentemente de diploma e no jornalismo não é diferente. Existem bons jornalistas precários e maus jornalistas diplomados, assim como existem péssimos precários e bons jornalistas diplomados.

Infelizmente, a Fenaj quer tomar a parte pelo todo e considera que os jornalistas precários são picaretas. Mas não é bem assim. Nos dias que antecederam a votação do RE 511961 no STF, recebemos e-mails de apoio de vários jornalistas e associações de jornalistas não diplomados, dentre os quais, o de Carlos André Boeira de Oliveira, do Rio Grande do Sul. Na mensagem que ele envia com cópia para os ministros da Suprema Corte Brasileira, ele desfaz alguns mitos [OLIVEIRA, Carlos André Boeira de. "Eu sou jornalista por talento, e não por formação! Urgente! Antes da votação, por favor" [mensagem pessoal]. Mensagem recebida em 31 mar 2009] a respeito dos jornalistas precários:

"Assim como falam que os precários são analfabetos, também pode ser dito que uma boa parte de profissionais formados em faculdades e universidades não tem condições de trabalhar na prática do Jornalismo. Cansei de ver jornalistas recém formados não sabendo coisas básicas, desinformados e bitolados por fórmulas universitárias ridículas.

A federação e o Sindicato do RS jamais procuraram se informar quem são os precários. E posso dizer que diminuíram consideravelmente. Muitos sequer atuam mais. Foram engolidos pelo mercado disputado. Neste ramo ninguém consegue enganar por muito tempo (até mesmo os diplomados não conseguem). Deveriam analisar caso a caso. Existem `precários´ bem profissionais. Eu, por exemplo, guardo quase tudo que escrevi, diagramei, criei, fotografei. A prática é a melhor maneira de se mostrar o que se sabe. Posso ser uma das exceções, e por isso estou chamando a atenção do órgão máximo da categoria. Tem gente ruim com diploma e sem diploma. Não podem generalizar! Se querem mostrar trabalho sindical, façam, mas cuidado para não cometerem injustiças.

Sugiro que busque saber quem é quem dos precários. Montem um processo para cada um deles e se for o caso, reconheçam esses profissionais. No passado já fizeram isso. Muitos profissionais, que ainda atuam, possuem (por força de lei) o registro reconhecido pelos sindicatos sem diploma de jornalista. Exijam tempo mínimo de atuação. Recortes, gravações, registros de que o profissional atua. Mais: podem pegar por declaração, o reconhecimento dos próprios profissionais da área (formados). Jamais um jornalista diplomado irá abonar um `precário´ que seja analfabeto ou que não esteja atuando na área."

A Fenaj e os sindicatos associados deveriam parar de perseguir os jornalistas precários e, ao invés disso, sindicalizá-los e assim ampliar a base sindical, o que causaria aumento das contribuições sindicais e, conseguintemente, teriam mais recursos financeiros para as lutas da categoria por melhores condições de trabalho.

4. Afirmar que a obrigatoriedade do diploma garante um jornalismo ético e de qualidade

"É preciso ter conhecimento sobre ética para atuar como jornalista. É preciso falar e escrever fluentemente a nossa língua e também saber buscar a notícia, diferenciando o fato do boato. Para tudo isso, o profissional precisa estudar e dedicar-se. Por isso eu apoio a obrigatoriedade do diploma. Não queremos contribuir para a construção um país de asnos" (Monica Patrícia Costa, jornalista, Apucarana, PR

"Escrever sobre determinado assunto é muito fácil, afinal, escrever sobre aquilo que é nossa especialidade é como retratar nosso dia a dia. Agora, escrever com ética sobre todos os assuntos, buscando especialistas, investigando, seguindo regras e agindo com a verdade é diferente... mas há pessoas que não perceberam isso ainda! Escrever qualquer um escreve... Eu apóio a regulamentação" (Bruna Delanholo Cavalheiro Carvalho, Estudante de Jornalismo, Guarulhos, SP)

"O diploma do jornalista é o Brasil de `mãos dadas´ com a ética e a cultura" (Cíntia Carneiro Hora,Jornalista, Salvador, BA)

Dizemos com todas as letras que a Fenaj não possui envergadura moral para falar de ética jornalística, já que ela passa por cima do seu Código de Ética de 1987 em vários pontos, entre eles, o artigo 10º, ainda no capítulo 2, está convencionado que o jornalista não pode "frustrar a manifestação de opiniões divergentes ou impedir o livre debate". Infelizmente, a Fenaj faz de tudo para impedir o debate acerca da obrigatoriedade do diploma, em seu sítio, só constam as decisões que lhe foram favoráveis.

Tal conduta já foi condenada por vários articulistas do site Observatório da Imprensa, entre eles o jornalista Maurício Tuffani, que assim escreveu [TUFFANI, Maurício. "Os defensores do diploma e seus debates imaginários". Observatório da Imprensa. Disponível aqui.Acesso em 03 jun 2009]:

"No que diz respeito à Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e aos sindicatos a ela associados, seria ingenuidade esperar que promovessem uma ampla discussão sobre o tema. No entanto, apesar de a pesquisa ser parte das atribuições de professores e pesquisadores de jornalismo e de suas entidades, estes não responderam praticamente nada às questões de fundo levantadas contra a obrigatoriedade do diploma desde 2001. Em vez de contestações diretas a argumentos pontuais contrários a essa exigência, suas `contribuições ao debate´ recorreram sistematicamente à evasiva e surrada tática de refutar questionamentos genéricos ou imaginários.

Desse modo, nenhum antagonista é citado nominalmente, assim como nenhum documento com tese contrária é mencionado, seja em pronunciamentos de dirigentes, em ofícios de diretorias de entidades e até mesmo em artigos assinados por pesquisadores. Não é por menos que essas manifestações estão disponíveis na página de notícias do site da Fenaj, que prima por sua alergia a opiniões contrárias."

Se a ética jornalística saísse do plano das idéias, não teríamos tantos erros jornalísticos (caso Escola Base), tantos jornalistas aceitando presentinhos e viagens de suas fontes (jabá jornalístico). Acreditamos que a ética não se aprende em nenhuma academia, mas se aprende em casa, com os pais. Se a pessoa não possui ética, não será nos bancos universitários que ela será adquirida.

5. Confundir obrigatoriedade do diploma com regulamentação profissional

"Se a maioria das profissões exige diploma, jornalismo deveria ser uma das tops! Informação consciente e precisa, com um profissional apto a fazê-lo! Eu estou de acordo com a regulamentação, e creio que isto nem deveria estar sendo discutido" (Fernanda Martinelli Gonçalves da Gama, estudante de Jornalismo, São Paulo, SP)

"Para ser jornalista é preciso ter muito mais que dom, essa profissão exige muito estudo, dedicação e ética profissional.. Pela regulamentação do diploma!" (Igara Letícia Miranda Borges, estudante de Jornalismo, Goiânia, GO)

"Eu apóio a regulamentação. Sem esta, não há motivo para se bacharelar alguém em RP, publicidade, Administração ou design. Mexer na regulamentação do diploma de Jornalismo é a mesma coisa que falar que outros diplomas estão na berlinda também. Não basta só técnica como muitos falam, mas também uma formação humanística adequada que enfoque as necessidades das redações e do e do bom desempenho do jornalismo" (Vaneza Melo, jornalista, Salvador, BA

"O estudo, aprimoramento e acesso à informação são adquiridos ao longo da experiência acadêmica. Retirar este direito dos estudantes de Jornalismo é ferir a integridade e violar os sonhos de quem corre atrás de uma profissão, de um sonho. Desenvolvimento e mudanças estruturais só serão alcançados com respeito e compromisso. Eu apóio a regulamentação do diploma. É um direito que nos assiste; como cidadãos brasileiros e profissionais da área" (Mara Vanessa Torres de Menezes, acadêmica de Jornalismo, Teresina, PI)

É o "primor" da dissimulação sindical, que prega que o pilar da regulamentação profissional reside na obrigatoriedade do diploma específico.

De acordo com Ivana Bentes de Oliveira, diretora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em entrevista à IHU Online, a obrigatoriedade do diploma está atrelada à legitimação dos sindicatos. E ressalta que as escolas de comunicação devem vender qualidade, e não reserva de mercado:

"Acredito que o diploma represente uma reserva de legitimação dos sindicatos. É claro que os sindicatos tiveram uma importância histórica nas lutas políticas e vão continuar a ter, mas também considero que devemos passar por um momento de mudança dessa mentalidade, porque quem faz jornalismo não é só jornalista. Nós temos outros grupos sociais produzindo jornalismo. (...) Creio que o diploma já foi importante, mas não é mais. As escolas de comunicação precisam vender qualidade e não reserva de mercado para um determinado profissional. (...) Se a exigência do diploma acabasse amanhã, os cursos de comunicação continuariam iguais. Os cursos que fazem a diferença continuam formando profissionais de qualidade. O que muda e o que acaba são os cursos que realmente vendiam o diploma."

O corporativismo dos jornalistas e sua organização sindical tem sido posto em questão em vários momentos. Portanto, não poderíamos deixar de citar um trecho de um artigo do jornalista Almir da Silva Lima [Almir da Silva Lima. "Por trás da exigência do diploma universitário de jornalista". Jornal O Rebate. Disponível aqui.Acesso em 30 mar 2009]:

"O pior, no entanto, é que em regra geral, os jornalistas, por não terem consciência sindical e de classe, acabam se alienando e adotando a douta ideologia corporativista de considerar o diploma universitário como sinônimo de vocação e principalmente competência profissionais". Ele ainda acrescenta que, "infelizmente, os jornalistas somente `reivindicam´ uma espécie de reserva de mercado e a se organizar em sindicatos e federações separados dos radialistas e demais trabalhadores das empresas de jornalismo ou comunicação social, sobretudo, das indústrias gráficas".

No Brasil, existem profissões que são regulamentadas e não exigem diploma superior, como músico (OMB), corretor de imóveis (Creci), ator e radialista.

Há países em que a profissão de jornalista é regulamentada e a formação superior em Jornalismo para a prática da profissão não é necessária, tampouco condição suficiente para o exercício da profissão, nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia,Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Peru, Polônia, Reino Unido, Suécia, Suíça e muitos outros. A mentalidade que vigora nestes países é a de que não pode haver impedimentos para qualquer cidadão ingressar no jornalismo, mas até criar e manter o seu próprio jornal.

Expostos nossos argumentos, damos por encerrado este texto, mas permanecemos abertos ao debate.